Número de pessoas que usam internet chega a 90% pela primeira vez no Brasil, afirma IBGE

O uso da internet no Brasil atingiu um novo marco em 2025. Pela primeira vez, nove em cada dez pessoas com 10 anos ou mais utilizaram a rede, segundo dados divulgados nesta sexta-feira pelo IBGE. Ao todo, 168,7 milhões de brasileiros acessaram a internet no ano passado, o equivalente a 90,5% da população dessa faixa etária, estimada em 186,4 milhões de pessoas.

As informações são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua: Acesso à Internet e à televisão e posse de telefone móvel celular para uso pessoal (Pnad TIC 2025), divulgada pelo IBGE nesta quinta-feira (2).

O percentual representa alta em relação a 2024, quando 89,2% da população havia utilizado a internet. O crescimento dá continuidade à trajetória observada desde o início da série histórica, em 2016, quando apenas 66% dos brasileiros de 10 anos ou mais acessavam a rede, número que passou para 79,4% em 2019.

Embora o acesso continue maior nas cidades, a expansão foi mais intensa na área rural. Em 2025, 91,5% dos moradores das áreas urbanas utilizaram a internet, ante 83% na zona rural. Na comparação com 2024, o avanço foi de 1,2 ponto percentual nas cidades e de 1,9 ponto percentual no campo, reduzindo a diferença entre os dois grupos.

Maior crescimento entre os idosos

Apesar de ainda apresentarem a menor proporção de usuários, os idosos seguem liderando o avanço da internet no país. Entre as pessoas com 60 anos ou mais, o percentual de usuários passou de 44,9% em 2019 para 70,1% em 2024 e atingiu 74,5% em 2025 — um aumento acumulado de 29,6 pontos percentuais no período.

Segundo o IBGE, a expansão pode ser explicada, entre outros fatores, pela maior facilidade de uso da tecnologia e por sua presença cada vez mais frequente no cotidiano.

“A internet tem cada vez mais feito parte do cotidiano da sociedade, muitos serviços são utilizados por ela, então, existe um certo estímulo para os idosos buscarem utilizar a internet. E um outro fator é que, à medida que o tempo vai passando, pessoas que passaram a usar a internet ainda um pouco mais jovens vão entrando para esse grupo etário de 60+. Elas já usaram a internet com 50 anos, agora que estão com 60 continuam usando”, explicou o analista do IBGE Gustavo Fontes.

Depois dos idosos, o maior crescimento entre 2019 e 2025 foi observado na faixa de 50 a 59 anos, com alta de 17,5 pontos percentuais.

Na outra ponta, crianças de 10 a 13 anos foram o único grupo etário a registrar queda no uso da internet no último ano, passando de 84,9% em 2024 para 84,4% em 2025.

Segundo o pesquisador, isso pode estar relacionado à crescente preocupação com a segurança digital e com a exposição desse público às redes sociais. Ele cita como exemplos as restrições ao uso de celulares nas escolas e o debate que levou à criação do chamado ECA Digital, medidas que, em sua avaliação, podem ter contribuído para esse comportamento.

O acesso cresce nas faixas etárias seguintes e supera 96% entre pessoas de 20 a 39 anos. A partir daí, os percentuais voltam a cair gradualmente, chegando a 91,8% entre 50 e 59 anos e a 74,5% entre idosos.

O acesso à internet também bateu recorde nos lares brasileiros. Em 2025, 76 milhões de domicílios contavam com conexão, o equivalente a 95% do total, com alta de 1,3 ponto percentual em relação aos 93,7% registrados em 2024. É a primeira vez que o indicador alcança esse patamar.

O avanço também é resultado de uma trajetória contínua de crescimento. Em 2016, quando a pesquisa começou a acompanhar esse indicador, apenas 70,8% dos domicílios tinham acesso à internet. O percentual passou para 83,9% em 2019 e chegou a 91,6% em 2022.

Assim como ocorreu no acesso individual, a expansão nos domicílios também foi mais acelerada na área rural. A diferença entre campo e cidade, que era superior a 41 pontos percentuais em 2016 — quando 35% dos domicílios rurais tinham internet, contra 76,5% dos urbanos — caiu para 7,8 pontos percentuais em 2025, com índices de 88% e 95,8%, respectivamente.

Mesmo assim, cerca de 4 milhões de domicílios ainda não utilizavam internet em 2025. Entre eles, os motivos mais citados foram o fato de nenhum morador saber usar a tecnologia (36,5%), o custo elevado do serviço (25,9%) e a falta de necessidade de acesso (25,2%). Juntas, essas razões responderam por 87,6% dos casos.

Outros motivos apareceram com menor frequência, como a indisponibilidade do serviço na região (2,6%), o alto custo dos equipamentos necessários para acessar a internet (2,8%), falta de tempo (1,5%) e preocupações com privacidade ou segurança (1%).

Entre os domicílios conectados, a banda larga fixa continuou sendo o principal tipo de acesso, presente em 89,2% das residências com internet, ante 88,9% em 2024. Já a banda larga móvel voltou a crescer, passando de 84,2% para 85,9% no mesmo período. (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil).

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