O cenário da segurança viária no Brasil apresenta um retrocesso alarmante. De acordo com a edição 2026 do Atlas da Violência, o número de mortes no trânsito brasileiro chegou a 37,1 mil em 2024. E este é o maior patamar registrado desde 2016, quando o País contabilizou 37,3 mil casos, interrompendo uma sequência de índices menores observados em anos anteriores, como os 34,8 mil em 2023 e 33,8 mil em 2022.
O avanço da mortalidade ocorre em paralelo ao crescimento contínuo da frota nacional, que saltou de 93,8 milhões de veículos em 2016 para 123,9 milhões em 2024. Regionalmente, o aumento é quase generalizado: a região Norte liderou o crescimento percentual com alta de 15,7%, enquanto o Nordeste registrou o maior avanço em números absolutos, com 1.236 mortes a mais do que no ano anterior. Em contrapartida, o Sudeste apresentou uma leve retração de 0,8% nas fatalidades.
A análise dos dados revela um cenário preocupante. Embora o Brasil tenha registrado redução de 20,1% na taxa de mortes no transporte terrestre entre 2014 e 2024, a partir de 2019, observou-se uma reversão crítica dessa tendência, com um aumento de 13,6% nas fatalidades.
As motocicletas são o principal fator por trás dessa tendência de alta – constatou o Atlas da Violência. O estudo mostra que em 2024 foram registradas 15,4 mil mortes relacionadas a esse meio de transporte, um salto considerável em comparação às 13,4 mil de 2023 e às 11,1 mil registradas em 2019. A frota de motos também não para de crescer, atingindo 28,2 milhões de unidades em 2024.
O Atlas da Violência enfatiza que a reversão desse quadro exige políticas públicas integradas. A redução da velocidade veicular é apontada como a medida mais urgente e eficaz para salvar vidas. Além disso, o estudo defende melhorias na infraestrutura que induzam velocidades compatíveis com as vias e o fortalecimento da fiscalização, especialmente em regiões onde a fragilidade institucional dificulta o controle viário. (Foto: Reprodução).






