Uma equipe de pesquisadores relatou que um exame de sangue foi significativamente mais preciso do que a interpretação dos médicos de testes cognitivos e tomografias computadorizadas na sinalização da condição.
O estudo, publicado neste domingo (28) no periódico JAMA, descobriu que cerca de 90% das vezes o exame de sangue identificou corretamente se os pacientes com problemas de memória tinham Alzheimer. Especialistas em demência usando métodos padrão que não incluíam exames PET caros ou punções lombares invasivas foram precisos 73% das vezes, enquanto os médicos de atenção primária usando esses métodos acertaram apenas 61% das vezes.
— Não muito tempo atrás, medir patologia no cérebro de um humano vivo era considerado simplesmente impossível. Este estudo contribui para a revolução que ocorreu em nossa capacidade de medir o que está acontecendo no cérebro de humanos vivos — afirma Jason Karlawish, um codiretor do Penn Memory Center na Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, que não estava envolvido na pesquisa.
Os resultados, apresentados na Alzheimer’s Association International Conference na Filadélfia, nos EUA, são o mais recente marco na busca por maneiras acessíveis e baratas de diagnosticar o Alzheimer, uma doença que aflige mais de 32 milhões de pessoas no mundo todo.
A nova pesquisa foi conduzida na Suécia, e especialistas alertaram que, para uso nos Estados Unidos, os resultados deveriam ser confirmados em uma população americana diversa.
— Se você detectasse a patologia da doença de Alzheimer em uma pessoa sem comprometimento cognitivo, não haveria terapias a serem oferecidas — aponta Oskar Hansson, professor de pesquisa clínica de memória na Universidade de Lund, na Suécia, e autor sênior do estudo.
A patologia da doença de Alzheimer pode começar a se desenvolver cerca de 20 anos antes de quaisquer sintomas, mas às vezes a demência não se desenvolve, ou as pessoas morrem de outras causas antes disso. Dado isso, Hansson ressalta que há um risco de ansiedade e outras reações, reações psicológicas, a tal resultado de teste.
O estudo incluiu cerca de 1.200 pacientes com problemas leves de memória. Cerca de 500 deles visitaram médicos de atenção primária; o restante procurou atendimento especializado em clínicas de memória. O Dr. Sebastian Palmqvist, professor associado de neurologia na Universidade de Lund que liderou o estudo com o Dr. Hansson, disse que, primeiro, cerca de 300 pacientes em cada grupo fizeram o exame de sangue, e os resultados foram comparados com punções lombares ou tomografias por emissão de pósitrons (PET).
Os pesquisadores então quiseram comparar o exame de sangue com o julgamento dos médicos após eles terem administrado testes cognitivos e tomografias computadorizadas.
Em avaliações de cerca de 200 pacientes, os médicos de atenção primária que achavam que os pacientes tinham Alzheimer estavam errados 36% das vezes. E quando achavam que os pacientes não tinham Alzheimer, eles estavam errados 41% das vezes. Especialistas em memória que avaliaram cerca de 400 pacientes se saíram um pouco melhor — eles estavam errados 25% das vezes quando achavam que os pacientes tinham Alzheimer e errados 29% das vezes quando achavam que os pacientes não tinham. O exame de sangue estava errado apenas cerca de 10% das vezes.
A precisão do exame de sangue foi maior em pacientes que já haviam progredido para demência e foi um pouco menor em pacientes em estágio de pré-demência, chamado comprometimento cognitivo leve, de acordo com Palmqvist. (Agência O Globo)






