A violência política no Brasil aumentou 130% em relação ao último período eleitoral municipal em 2020, de acordo com a 3ª edição da pesquisa “Violência Política e Eleitoral no Brasil”, desenvolvida pelas organizações Terra de Direitos e Justiça Global. Entre 1º de novembro de 2022 e 15 de agosto de 2024, foram registrados 299 casos de violência política, sendo 14 assassinatos.
Os partidos de esquerda, principalmente o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Socialismo e Liberdade (Psol), foram os mais atingidos, e as mulheres continuam sendo desproporcionalmente afetadas, com 46% das ocorrências direcionadas a elas. O estudo revela que há um episódio de violência a cada 1,5 dia, acentuando o clima de insegurança política no país às vésperas das eleições municipais de 2024.
A naturalização da violência no cenário político, como destaca Gisele Barbieri, coordenadora de Incidência Política da Terra de Direitos, é um sinal de que o país enfrenta um desafio complexo. “Precisamos de respostas institucionais à altura, com legislações não só de caráter punitivo, mas de caráter pedagógico, com ações coordenadas de enfrentamento por parte dos órgãos de Estado.”
Crescimento da violência política
O estudo comparou o período pré-eleitoral de 2024 com o de 2020, e identificou diferentes formas de violência, incluindo agressões físicas, ameaças, atentados, invasões, ofensas e criminalizações, considerando apenas os casos com motivações políticas claras.
Enquanto o período anterior às eleições municipais de 2020 (janeiro a 26 de setembro) registrou 105 ocorrências de violência política, em 2024, esse número cresceu 130%. Em termos de violência mais grave, como assassinatos e atentados, o aumento foi ainda mais acentuado: quase 170%.
Esse aumento mostra uma ala da violência política no Brasil. Durante as eleições presidenciais de 2018, o país registrava um caso de violência política a cada oito dias. Em 2020, esse número caiu para um a cada sete dias. Agora, em 2024, há um episódio violento a cada um dia e meio. (Por Mayala Fernandes-Brasil de Fato/Foto:TRE-PE)






