A Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) foi condenada a pagar R$ 10 mil por danos morais a um estudante de Letras que foi atacado por uma matilha de cães dentro da Unidade Acadêmica de Serra Talhada (PE) (UAST). A decisão foi mantida pela 2ª Turma Recursal de Pernambuco, em julgamento realizado em julho deste ano.
Segundo a decisão judicial acessa pelo g1, um estudante que morava na residência estudantil da UAST, sofreu mordidas nas pernas, precisou receber atendimento no Hospital Professor Agamenon Magalhães (HOSPAM) e passou pelo protocolo de vacinação antirrábica. O ataque aconteceu em 7 de dezembro de 2025 dentro do campus.
A sentença da 18ª Vara Federal de Pernambuco, assinada em 29 de maio, aponta que o ataque foi registrado em documentos médicos, fotografias das lesões e em uma gravação fornecida pela própria UFRPE durante o processo.
De acordo com a decisão, documentos produzidos pela própria universidade indicavam que o problema com animais soltos sem controle era conhecido desde 2006. Na época, a população de cães no campus era estimada em aproximadamente 70 animais.
A sentença também cita um ofício da UAST enviado ao Ministério Público em 2025, no qual a unidade reconheceu que alguns animais apresentavam comportamento arisco e episódios de agressão contra integrantes da comunidade acadêmica. Outro documento, de 2026, registrou a ocorrência recorrente de ataques e comportamentos agressivos.
A UFRPE argumentou no processo que adotava medidas para lidar com os animais, incluindo campanhas de conscientização, parcerias com a Prefeitura de Serra Talhada e castrações. No recurso, a universidade informou que havia realizado recentemente a esterilização de 43 animais.
A defesa também afirmou que o local do ataque é uma área aberta, sem barreiras físicas e próxima a rodovias onde, segundo a instituição, ocorre abandono frequente de animais. A universidade sustentou ainda que prestou socorro imediato ao estudante e mantinha rondas patrimoniais no campus.






