A aplicação das políticas de cotas e a transparência da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no concurso público para o cargo de Professor do Magistério Superior (Professor Adjunto) do edital n° 04/2025, estão sendo questionadas na Justiça Federal.
O professor de História João Henrique Lúcio de Souza procurou a Folha de Pernambuco para denunciar uma série de manobras administrativas, erros de cálculo e falta de transparência por parte da instituição, que culminaram em sua preterição no certame para o Centro Acadêmico do Sertão, em Sertânia (PE).
“Eu fiz o concurso inteiro como PCD, desde a homologação da inscrição até o resultado final, e um outro candidato, que passou o concurso todo como ampla concorrência, no resultado final, no diário oficial, mudou a inscrição de ampla concorrência para PCD e ficou 0,04 na minha frente”, explica o professor.
João Henrique, que concorreu às vagas reservadas para Pessoas com Deficiência (PCD) na área de História, aponta duas falhas cometidas pela Progepe/UFPE que comprometeram o resultado do certame.
De acordo com os autos do processo e documentos públicos disponíveis no sistema SIGRH da UFPE, um candidato do curso de Gestão Pública realizou todas as etapas do concurso figurando exclusivamente na lista de Ampla Concorrência (AC), onde permaneceu até despacho do resultado final definitivo, em 31 de julho de 2025.
Porém, no dia 6 de agosto de 2025, ao ser publicada a “Lista Única” de cotistas, o candidato de Gestão Pública aparece pela primeira vez como PCD, ocupando o primeiro lugar geral com a nota 7,19, superando João Henrique (que obteve 7,15) por uma diferença mínima de 0,04 pontos.
O professor alega que foi mantido no escuro sobre a existência de um concorrente direto pela vaga reservada. Confiando nos documentos oficiais que o apontavam como o único candidato PCD aprovado em sua categoria, ele optou por não interpor recursos contra suas próprias notas.






