Padre que matou ladrão atropelado é absolvido do crime

O padre Gustavo Trindade dos Santos, 37 anos, era pároco da Igreja Matriz de São Sebastião, em Santa Cruz do Rio Pardo, interior de São Paulo.

Na noite de 7 de maio de 2022, pouco depois de celebrar um casamento, ele foi avisado de que a casa paroquial, a poucos metros da igreja, estava sendo furtada.

Segundo o boletim de ocorrência, o autor do furto havia arrombado uma janela do imóvel e fugido levando três moletons e uma camiseta. Ao chegar ao local, o padre viu um homem pular o muro e correr pela rua. Ele entrou no carro da igreja, um Chevrolet Cobalt, e passou a persegui-lo pelas vias próximas ao centro da cidade.

Câmeras de segurança registraram o momento em que o veículo atinge Ângelo Marcos dos Santos Nogueira, conhecido como Anjinho, na avenida Tiradentes, por volta das 20 horas. Nas imagens, Ângelo corria de costas para o carro quando o padre teria feito uma manobra em direção a ele, prensando o suspeito contra um veículo estacionado. Depois do impacto, o religioso deu ré e deixou o local sem prestar socorro; foram transeuntes que acionaram o resgate.

Ângelo, dependente químico com passagens anteriores por furtos, ficou internado por meses, primeiro na Santa Casa de Santa Cruz do Rio Pardo e depois na de Ourinhos, com sequelas graves. Ele morreu em 27 de julho de 2022, por complicações decorrentes do atropelamento, segundo laudo do Instituto Médico Legal.

O padre Gustavo passou dias desaparecido antes de se apresentar à polícia, sendo ouvido em depoimento apenas em 9 de junho de 2022. A Diocese de Ourinhos afastou-o de suas funções e divulgou nota classificando-o como consternado e arrependido pelo caso.

O Ministério Público denunciou o religioso por homicídio qualificado, sustentando que ele agiu com intenção de matar, usando o carro como arma, e que fugiu sem socorrer a vítima. A Justiça determinou que o caso fosse julgado pelo Tribunal do Júri. Em 12 de abril de 2024, por maioria de votos, os jurados absolveram Gustavo Trindade dos Santos da acusação. A promotoria não confirmou de imediato se recorreria da decisão.
Fonte: Heraldo Farias.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui