
A descriminalização do porte de maconha para consumo próprio pelo Supremo Tribunal Federal (STF) levantou uma série de dúvidas sobre os impactos da substância psicoativa na saúde.
Um dos pontos envolve o chamado transtorno por uso de cannabis, uma condição ainda pouco estudada pela ciência e praticamente desconhecida pelo grande público.
O quadro, que pode afetar até dois em cada dez usuários de maconha, está relacionado ao abuso do consumo da droga e gera perdas significativas no bem-estar e na qualidade de vida.
O psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira, professor da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), avalia que existe uma grande dificuldade em diferenciar usuários de dependentes — ou aqueles indivíduos que não se encaixam nem na primeira e nem na segunda categoria.
“Mas o transtorno por uso de cannabis seria equivalente ao que se chama de dependência”, explica ele.
Segundo o psiquiatra, essa condição pode se manifestar de diferentes maneiras. Para começar, ela está relacionada à quantidade e à frequência no consumo.
“O transtorno atrapalha as atividades habituais de trabalho e estudo, prejudica as relações interpessoais e gera desinteresse.”
“Além disso, qualquer pensamento ou tentativa de reduzir o consumo gera sintomas intensos de ansiedade ou depressão”, caracteriza Silveira, que estuda dependência há 40 anos. (Correio Braziliense)





