Nos últimos dois anos, o estado perdeu 24 agências bancárias, segundo dados do Banco Central (BC). De acordo com o Sindicato dos Bancários de Pernambuco, 93 dos 185 municípios pernambucanos já não contam com nenhuma unidade física para atendimento da população.
A redução da rede de agências vai além do impacto sobre os empregos no setor. Segundo o presidente do sindicato, Fabiano Moura, o fechamento das unidades dificulta o acesso da população aos serviços bancários, especialmente de idosos, aposentados e moradores do interior, além de afetar a atividade econômica de bairros e municípios que dependem da circulação de consumidores.
“Além dos prejuízos econômicos, há impactos sociais, com transtornos e dificuldades para a população. Em Pernambuco, municípios como Ouricuri e Belo Jardim conseguiram reverter o fechamento de agências após mobilizações e intervenções do poder público local, diante dos impactos econômicos e sociais causados pela medida”, exemplifica Moura.
Outro efeito é a sobrecarga nas unidades que permanecem em funcionamento. “Uma mesma agência pode ter postos de atendimento em diferentes municípios. Esses postos de serviço, geralmente menores, contam apenas com um ou dois funcionários para oferecer serviços bancários à população. Com esse processo de retirada de mais agências e postos de serviço vai aumentar ainda mais a precarização do atendimento, principalmente as filas de espera”, ressalta.
Brasil perdeu milhares de agências
O cenário observado em Pernambuco acompanha uma tendência nacional de redução da presença física dos bancos. Segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com base em dados do Banco Central, o Brasil perdeu 37% das agências bancárias na última década. Atualmente, 2.649 municípios — o equivalente a 48% do total — não possuem nenhuma agência.
Impulsionados pelos avanços da tecnologia, que digitalizou transações e operações bancárias, somada à decisão de reduzir custos mesmo diante de agências superavitárias, restaram hoje ao país pouco mais de 14 mil unidades bancárias. Somente em 2025, Bradesco, Santander e Itaú encerraram, juntos, 1.388 agências e eliminaram 11.447 postos de trabalho em todo o país.
Os números também aparecem no mercado de trabalho. Dados do Novo Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), mostram que o setor bancário fechou 2025 com saldo negativo de 8.910 empregos formais, enquanto o Brasil criou 1.279.498 vagas com carteira assinada no mesmo período. (Foto: Rafael Vieira).






