MPF, MPPE e MPBA se unem para solucionar impactos da queima da cana no meio ambiente e na saúde da população de Petrolina e Juazeiro

    Membros do Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e Ministério Público da Bahia (MPBA) se reuniram, na terça-feira (22), com pesquisadores da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), representantes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), para averiguar eventuais danos ambientais e à saúde da população das cidades de Petrolina e Juazeiro provocados pela fuligem resultante das queimadas em plantações de cana-de-açúcar, atribuídas à sociedade empresarial Agrovale, que enviou funcionários à reunião.

    A poluição atmosférica e suas consequências são o objeto de estudo de um grupo de pesquisadores da Univasf, que se comprometeu a apresentar, no dia 30 de janeiro, dados e conclusões atualizados sobre os danos e possíveis soluções para reduzir o impacto deles no ecossistema e na população.

    Após 45 dias da apresentação, diretores da Agrovale se reunirão com a equipe de pesquisa para ajustarem um projeto, especificando metodologia e custos para a diminuição dos efeitos nocivos das queimadas. Em 19 de março, haverá nova reunião com MPF, MPPE e MPBA para que a versão final do projeto seja apresentada.

    O projeto deve conter explicações sobre o impacto dos resíduos provenientes das queimadas na fauna e flora, água e atmosfera, assim como o deslocamento de animais silvestres em fuga. Um dos principais estudos é sobre os efeitos do composto hidrocarboneto, que é solto no ar devido ao fogo na cana-de-açúcar. Os pesquisadores investigam se a substância tem causado problemas respiratórios nas pessoas, mas já adiantam que existem estudos que mostram o hidrocarboneto como agente desses tipos de doenças.

    O grupo da Univasf, assim, irá monitorar os pacientes que dão entrada em hospitais de Juazeiro e Petrolina nas épocas de queima e de não queima da cana.

    O MPF foi representado pelo procurador da República Filipe Albernaz Pires. O MPPE, pela promotora de Justiça Rosane Moreira Cavalcanti; e o MPBA, pela promotora de Justiça Heline Esteves Alves. Integrantes da Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) participaram da reunião por meio de videoconferência.

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