Artigo
Frequento habitualmente a Feira da Areia Branca, em Petrolina, e há algum tempo venho observando uma situação que merece a atenção do poder público e dos próprios comerciantes.
Na verdade, o que existe naquele espaço vai além da comercialização do coco. Observa-se uma verdadeira indústria de beneficiamento, que produz diariamente uma quantidade significativa de resíduos, especialmente cascas de coco.
O morador que denunciou a situação ao Blog do Edenevaldo Alves está corretíssimo ao chamar a atenção para o problema. Entretanto, penso que a discussão precisa ir além da quantidade de caçambas disponíveis.
A questão central é: quem deve assumir os custos da coleta, do transporte e da destinação desses resíduos?
Atualmente, ao que tudo indica, parte dessa responsabilidade está sendo transferida ao poder público e, consequentemente, aos contribuintes de Petrolina.
Não sou contrário à atividade econômica. Pelo contrário, defendo o trabalho, o empreendedorismo e a geração de emprego e renda. Entretanto, é necessário compreender que toda atividade econômica deve assumir também as responsabilidades decorrentes de sua operação.
Não parece razoável que os custos de uma atividade comercial específica sejam simplesmente transferidos à coletividade.
É importante que a Prefeitura de Petrolina avalie a situação, identifique os responsáveis pela geração desses resíduos e estabeleça critérios adequados para sua coleta e destinação, inclusive considerando alternativas de reaproveitamento das cascas de coco.
A feira é um patrimônio da nossa cidade, mas sua organização exige responsabilidade compartilhada.
Afinal, quem desenvolve uma atividade econômica deve considerar, entre seus custos operacionais, aqueles relacionados aos resíduos que produz.
O contribuinte não pode continuar sendo chamado a pagar uma conta que deveria, ao menos em parte, ser assumida por quem gera os resíduos.
Por Rinaldo Remígio.






