O eletricista industrial Elivaldo Ribeiro de Sales, 42, conhecido como Uchôa, colocou o município de Xexéu (PE), em evidência nos últimos dias, ao percorrer fantasiado as ruas do distrito de Campos Frios, onde mora. Vídeos de câmeras de segurança registram um personagem enigmático, portando chapéu e capa pretas, máscara e luvas que simulavam unhas afiadas.
Não demorou para as imagens se espalharem pelas redes sociais e divertirem internautas não apenas pelo momento inusitado, mas também pela posterior prisão da “criatura”. Elivaldo foi localizado pelo 10º Batalhão da Polícia Militar (BPM) e conduzido para a Delegacia de Polícia de Xexéu, onde foi lavrado um termo circunstanciado de ocorrência (TCO) por perturbação da ordem e da tranquilidade pública.
Ao Diario de Pernambuco, o “lobisomem de Xexéu”, como ele foi definido, defendeu que era tudo brincadeira e que as capturas em câmeras de segurança foram intencionais. Segundo o xexeuense, as imagens são de equipamentos de vigilância da própria casa e da residência de um amigo caminhoneiro, que o teria auxiliado a colocar a ideia em prática. Elivaldo alega que os registros teriam sido produzidos para o YouTube.
“Eu não pensava que ia dar isso. Falei até em depoimento [na delegacia local]”, diz Elivaldo, que se autointitula o Jeepers Creepers brasileiro, por aparecer com a máscara em alusão ao personagem da franquia de terror dos anos 2000 Olhos Famintos.
Na produção que serviu de inspiração, Creeper é um predador sobrenatural que desperta a cada 23 primaveras para se alimentar durante 23 dias. “É um dos meus filmes favoritos”, diz o eletricista, que compôs a releitura à brasileira com chapéu e capa de boiadeiro e máscara de silicone. “Não tinha na Shopee, não tinha na Shein. Só tinha na AliExpress”, relembra, ao contar a preparação para o passeio inusitado do último dia 28 de junho.
Os esforços para assegurar o anonimato, porém, duraram pouco tempo. “É no entorno da minha casa. Me reconheceram pelo jeito de andar”, aponta. Questionado sobre declarações de que ele assustava as pessoas, diz: “Aqui tem um pessoal que deve a um, deve a outro e ficou com medo de um homem estranho. Quem tiver suas continhas que vá pagar o barraqueiro, que ele quer receber”.
Nas redes sociais, internautas reagiram. “12 mil habitantes — alguém tem que fazer alguma coisa diferente”, disse uma. “A cada 23 primaveras…”, reconheceu outro. “Anotado: fazer cosplay no interior é crime”, alfinetou outro. Do pequeno distrito na Mata Sul, Elivaldo brinca com a repercussão: “O povo brasileiro já tem muita desgraça, agora vamo fazer o povo rir”. (Foto: Reprodução).






