Por Rinaldo Remígio
Há entrevistas que informam e outras que se transformam em documentos para a história. Foi essa a sensação que tive ao acompanhar o encontro promovido por Edenevaldo Alves, na Petrolina FM 98,3, reunindo o prefeito Simão Durando e os ex-prefeitos Augusto Coelho, Guilherme Coelho e Fernando Bezerra Coelho.
Reunir quatro homens que governaram Petrolina em diferentes épocas não é tarefa fácil. Cada um enfrentou os desafios de seu tempo e deixou sua contribuição. Edenevaldo proporcionou, assim, mais que uma entrevista: promoveu um encontro entre diferentes capítulos da história da cidade.
Simão Durando destacou o desafio de administrar uma Petrolina em permanente crescimento. Segundo ele, a cidade recebe anualmente novos moradores em número equivalente à população de um município como Afrânio. Crescer é motivo de orgulho, mas exige ampliar infraestrutura, saúde, educação, saneamento e oportunidades.
Guilherme Coelho ressaltou a capacidade de Petrolina de acolher quem chega. Grande parte de sua população veio de outros lugares, encontrou oportunidades e criou raízes. Sou testemunha disso: cheguei jovem, fui acolhido e aqui construí minha vida familiar, profissional e comunitária.
Augusto Coelho recordou os investimentos em saneamento básico e contou que chegou a ser desaconselhado a realizar uma obra que ficaria escondida sob o chão e, supostamente, não renderia votos. Prevaleceu a visão de administrador. O saneamento pode não ser visto, mas seus benefícios aparecem na saúde e na qualidade de vida.
Fernando Bezerra Coelho lembrou que os desafios de Petrolina são permanentes e crescentes. Nenhuma administração recebe uma cidade pronta. Cada avanço produz novas demandas, e cada geração de gestores precisa responder às necessidades de seu tempo.
Talvez essa tenha sido a principal mensagem do encontro: Petrolina não foi construída por um único governo ou por uma única geração. Cada administração recebeu conquistas, problemas e projetos, acrescentou sua contribuição e deixou novos desafios para quem veio depois.
A crítica ao poder público é necessária e faz parte da democracia, mas também é preciso compreender a complexidade de administrar uma cidade que cresce e se transforma continuamente.
Edenevaldo Alves teve a sensibilidade de proporcionar essa reflexão. O bom comunicador não é apenas aquele que sabe falar e perguntar. É também aquele que preserva a memória de sua comunidade e ajuda seu povo a conhecer a própria história.
Na condição de cidadão petrolinense, parabenizo meu amigo e ex-aluno Edenevaldo Alves pela iniciativa. Ao reunir esses gestores nas comemorações dos 131 anos de Petrolina, ele produziu um importante registro para as atuais e futuras gerações.
Petrolina era a aniversariante, mas os petrolinenses foram presenteados: puderam ouvir a história contada por alguns daqueles que ajudaram a escrevê-la.
Rinaldo Remígio (Professor universitário aposentado, administrador, contador, historiador e mestre em Economia).






