Artigo: BASTA!

    BASTA!

    A sociedade brasileira precisa levar a sério o uso de celulares e redes sociais por crianças e adolescentes

    Por Luiz Antonio Costa de Santana
    Doutor e Mestre em Direito, Doutorando em Ecologia Humana e Gestão Socioambiental, Professor da UNEB e Univasf, Engenheiro, Advogado, Presidente da Comissão de Direito Constitucional da OAB

    O advento da internet em escala comercial trouxe-nos um dilema importante: ganhamos uma aliada contra a realidade massacrante do mundo que nos cerca, que nos vendeu a ilusão de um mundo que não existe, em total desconexão com a realidade e o natural peso da existência humana.

    Décadas se passaram, e hoje, aflitos, nos deparamos com os efeitos colaterais dessa revolução digital, especialmente seus efeitos sobre crianças e adolescentes.

    Os alarmes soam de todas as partes. Diversos estudos científicos apontam os malefícios do uso excessivo de tablets e smartphones em crianças e adolescentes.

    Contudo, a sociedade brasileira parece observar, inerte, o declínio cognitivo crescente e o preocupante aumento de transtornos e doenças mentais entre os jovens.

    Uma pesquisa recente do Instituto DataFolha revela que 43% das crianças com até 12 anos e 50% dos adolescentes com até 18 anos possuem celulares. Além disso, a pesquisa revelou que 62% da população defende a proibição do uso de celulares em ambientes escolares, enquanto 78% acredita que o uso desses aparelhos traz mais prejuízos do que benefícios ao aprendizado.

    É fato notório que nas últimas décadas, o acesso cada vez maior à internet distanciamento de crianças e adolescentes da vida cotidiana real. As atividades ao ar livre e as interações sociais vêm sendo progressivamente substituídas pela presença quase onipresente de tablets e smartphones, e idealização de um mundo encantado, que só existe em redes sociais.

    Especialistas são unânimes: é urgente aa necessidade um esforço conjunto de governos, pais, educadores e das próprias empresas de tecnologia para reverter essa situação.

    A solução parece residir em uma reconexão genuína entre os jovens, suas famílias, amigos e os espaços coletivos, por meio de políticas públicas efetivas.

    É necessário criar ambientes seguros para que crianças e adolescentes tenham contato real com o mundo ao seu redor, experimentem sentimentos como o tédio e aprendam a lidar com o silêncio — elementos camuflados pelas telas de tablets e smartphones.

    Chegou a hora de agir. Basta de inércia diante de um problema que coloca em risco o futuro de uma geração.

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