O laudo da Polícia Federal (PF) sobre a queda do avião da Voepass em Vinhedo, que deixou 62 pessoas mortas, revelou que os pilotos sabiam sobre a falha no sistema de degelo e compararam a aeronave a um “Fusquinha”. O laudo foi revelado pelo Fantástico nesta quarta e confirmado pelo Estadão.
A investigação feita com base na análise do relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), que apontou falhas da empresa, da aeronave, dos pilotos e da própria agência reguladora no acidente que matou 62 pessoas.
Segundo a PF, a causa do acidente foi a perda de controle em voo causada pelo acúmulo de gelo na aeronave, da inoperância do sistema pneumático de degelo do avião e da não execução tempestiva e adequada de cinco procedimentos necessários.
A PF destacou que a tripulação estava habilitada para operar a aeronave e que o último treinamento realizado tiveram resultados satisfatórios para os procedimentos.
“Não é possível determinar a razão da não execução adequada desses procedimentos ante a emergência enfrentada no voo”, concluiu a corporação.
Em um dos diálogos da tripulação da aeronave que terminou com a queda do avião da Voepass, os pilotos falam sobre uma situação de gelo.
Piloto: “Foi só eu falar. O avião escutou. Esse avião parece aquele Fusquinha, Herbie lá… Herbie, filme bem antigo.”
O piloto fez referência a Herbie, o carro do filme “Se meu Fusca falasse” (1968). No longa de ficção, o veículo é consciente: expressa sentimentos, dirige sozinho, escuta as pessoas e responde através da buzina e de faróis.
Na sequência, o copiloto demonstra preocupação com a rota.
Segundo a PF, naquele momento o alerta AIRFRAME FAULT indicava falha no sistema pneumático de degelo da aeronave. O procedimento previsto pelo fabricante determinava que a tripulação deixasse imediatamente a região de formação de gelo. Mas os dados do gravador de voo mostram que isso não aconteceu.
Quase uma hora depois, quando o avião já se aproximava de São Paulo, a situação se agrava.






