O protagonismo estudantil dos cursos de Jornalismo da UNEB ganhou destaque na participação histórica no Prêmio Abapa de Jornalismo 2025. A cerimônia, ocorrida nesta quarta-feira (26), no auditório da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), em Salvador, tornou essa conquista ainda mais especial com o ganho de 7 troféus, de um total de 15 possíveis, na categoria Jovem Talento, em sua primeira participação no evento.
O Prêmio Abapa de Jornalismo foi criado em 2019 pela Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), para incentivar a produção jornalística especializada sobre a cultura do algodão e a cotonicultura baiana. Além de reconhecer o trabalho da imprensa profissional, o prêmio também incentiva a produção de estudantes universitários na categoria Jovem Talento, oferecendo prêmios nas modalidades escrita, vídeo e podcast. Para a produção do material, a Abapa promove uma imersão aos estudantes nos campos de algodão localizados na região oeste da Bahia.
Para a professora Talyta Singer, que orientou e acompanhou os 11 estudantes do campus Juazeiro que participaram da premiação, a experiência promovida pela Apaba é desafiadora, mas rica para os estudantes. “É uma viagem longa com pouco tempo de descanso e muito material para apurar in loco, em tempo real, no sol, no meio da lavoura. Para os estudantes de jornalismo, a oportunidade é única: acesso a fontes que em outro contexto seriam difíceis de acessar, tempo cronometrado e prazo apertado para aprender e reportar sobre um assunto que é novo, cheio de termos técnicos, discussões científicas e gente trabalhando!”
A professora reforça a importância desse relacionamento de instituições do agronegócio com as universidades. “Fico muito feliz que a Abapa tenha a sensibilidade de contribuir na formação de novos profissionais e adoraria ver outras instituições do agro criando esse canal aberto de comunicação de forma tão transparente.”
Para a professora e coordenadora do Colegiado de Jornalismo da UNEB Seabra, Juliana Correia, que orientou 4 dos 5 trabalhos premiados do campus, a premiação é uma oportunidade para conhecer novas riquezas da Bahia, além das já exploradas pelo curso. “Fazemos um jornalismo longe dos grandes centros, fazer um jornalismo no interior da Bahia, na Chapada Diamantina, é uma forma de resistência. Então, a gente faz um jornalismo voltado para as comunidades e para o pequeno negócio. Essa oportunidade de conhecer o agronegócio de perto fortalece muito a visão de mundo dos estudantes acerca do que é a própria Bahia e mostra que a gente está no caminho, porque esses prêmios têm avaliadores de renome, e isso mostra a qualidade do que a gente vem fazendo lá em Seabra.”
A professora ainda destaca o reconhecimento aos orientadores. No Prêmio Abapa, além dos alunos, os professores também recebem premiação. “Participo de prêmios há mais de 15 anos como profissional e há cerca de 10 anos orientando estudantes, e nunca tive uma premiação que valorizasse o orientador também. Isso é muito importante, porque a gente já faz isso com coração, pensando no aprimoramento técnico e profissional dos alunos. Ter esse reconhecimento por parte da Abapa nos deixa muito felizes e nos incentiva a cada vez mais procurar fazer esse trabalho de excelência.”
Das 15 premiações possíveis, os estudantes da UNEB conquistaram 7 troféus, foram eles:
Modalidade Escrita
José Bores de Araujo Junior (UNEB Seabra) – 3º Lugar
Lucas Silva Assunção (UNEB Seabra) – 5º Lugar
Modalidade vídeo
Alison Ferreira de França e Maria Thereza Abel Alves Galvão (UNEB Juazeiro) – 2º Lugar
João Pedro Novaes Tinel Andrade, Livia Barbosa Bernardo e Matheus Alves Navais (UNEB Juazeiro) – 5º Lugar
Modalidade podcast:
José Bores de Araujo Junior (UNEB Seabra) – 1º Lugar
Lucas Silva Assunção (UNEB Seabra) – 3º Lugar
Taciere Silva Santana e Ana Catarina Novais Sena (UNEB Seabra) – 4º Lugar
Para José Bores, estudante do campus Seabra que conquistou 2 troféus, o resultado o reconhece enquanto profissional, além de permitir dialogar e conhecer profissionais de diferentes lugares da Bahia. O graduando também destaca a importância do reconhecimento em um local onde os participantes são majoritariamente da capital: “[O resultado] mostra que somos comunicadores que estão transformando a comunicação baiana e também abre uma nova visão para que o jornalismo não fique no eixo capital e região metropolitana.”
Na vídeo reportagem “Algodão rastreável: uma resposta sustentável às fibras sintéticas”, que conquistou o 2º lugar, os estudantes da UNEB Juazeiro, Álison e Maria Thereza mostraram como o algodão, uma fibra natural, é uma escolha mais sustentável que as fibras sintéticas. Além do esforço dos produtores para garantir o mapeamento e controle de toda a cadeia de produção de forma responsável. Para Álison, a conquista é um reconhecimento da dedicação e esforço da equipe, mas principalmente um reflexo direto da solidez da formação.
“Ter um prêmio como esse dá um gás e uma vontade de continuar fazendo mais produções. Isso mostra que tudo que eu já vi no curso me deu uma base muito sólida e que futuramente me dará mais frutos, porque é um reconhecimento enorme estar na graduação e já ter em mãos um prêmio que é reflexo direto da qualidade de ensino que recebo na universidade.”
O trabalho de reportagem que conquistou o 5º lugar na modalidade vídeo, intitulado “Produtores de algodão do oeste baiano apostam em pesquisas sobre mercado de carbono”, disponível no canal do Youtube da MultiCiência, é resultado de uma pesquisa aprofundada sobre a cotonicultura e a sustentabilidade. Os estudantes João Pedro Tínel, Lívia Bernardo e Matheus Navais (UNEB Juazeiro) elegeram o tema após uma investigação que apontou o mercado de carbono como uma das alternativas sustentáveis dentro da produção de algodão na Bahia. Além de abordar pesquisas científicas em andamento sobre o armazenamento de carbono no solo e nas plantações, com o potencial de gerar renda e continuar o desenvolvimento sustentável da região.
Tínel destaca que o reconhecimento foi ainda mais gratificante por ter sido conquistado em equipe. A satisfação de ver o trabalho premiado ao lado de Lívia e Matheus, com quem mantém parceria desde o início do curso: “Isso traz uma sensação de satisfação até por estar colocando tudo em prática que a gente aprendeu, colocando todas as forças que a gente tem”, afirma.
A coordenadora do Colegiado de Jornalismo em Multimeios da UNEB Juazeiro, Carla Paiva, enfatiza que a experiência foi fundamental para a formação dos estudantes, permitindo um entendimento prático da diversidade do estado baiano.
Para Carla, a premiação mostra a importância da construção dessas parcerias, como a estabelecida com a Abapa, que “valoriza o papel do jornalismo, não só na transmissão da informação, mas também do compromisso social do jornalismo enquanto transformador da realidade”, afirma.
Carla ainda ressalta que o contraste da caatinga, presente na região do Vale do São Francisco, especialmente em Juazeiro, com o cerrado do oeste baiano permitiu aos estudantes traçarem e redefinirem um novo olhar sobre o agronegócio. Ao deixarem o Semiárido, região onde há forte influência da fruticultura irrigada, os alunos tiveram a oportunidade de superar a visão regionalizada da produção, e ampliar as dimensões dos conhecimentos individuais. A imersão no cultivo de algodão no cerrado expôs uma realidade agrícola de larga escala, que se distingue da forma de produção na caatinga.
(Texto: Maria Helena Almeida e João Pedro Saraiva. Foto: Divulgação/Abapa/ Agência MultiCiência)






