Inmaculada, de 57 anos, carinhosamente chamada de Inma pelos colegas de trabalho, funcionária de um escritório de telemarketing, em Madrid, na Espanha, morreu após sofrer um infarto, durante o expediente na última terça-feira. Mesmo com o corpo da mulher ainda no local, a empresa obrigou os demais atendentes a permanecerem no posto por duas horas e 40 minutos, recebendo ligações dos clientes.
A mão de Inma se levantou na sala de call center, onde são atendidos clientes da empresa de energia Iberdrola, chamando a coordenadora da equipe. Os telefonistas são treinados para solicitar ajuda dos supervisores, caso precisem de assistência técnica para auxiliar os consumidores.
No entanto, Inmaculada, precisava de ajuda médica. Quando ela desabou, um colega precisou segurá-la na cadeira, para que não caísse. Os funcionários ainda tentaram reanimá-la, mas sem sucesso.
De acordo com a confederação que representa os trabalhadores do setor do telemarketing na Espanha (Confederación General del Trabajo del Sector Federal de Telemercadeo – CGT Telemarketing), após o ocorrido, os responsáveis pela empresa orientaram a equipe continuasse a receber as chamadas e não interrompesse o serviço, mesmo enquanto o cadáver ainda estava no local.
— Quando entramos no 6.º andar, tudo parecia um filme de terror. Ao lado da mulher, alguém atendia uma chamada. O serviço continuou como se nada tivesse acontecido — relatou a Confederação.
A CGT Telemarketing emitiu uma nota condenando veementemente a conduta da empresa, que alegou prestar serviços essenciais e, por isso, não interrompeu as atividades após a morte da funcionária. (Agência O Globo)






