Há encontros que se transformam em inspiração. Em recente conversa com o irmão Afonso Ferreira, servidor público lotado na Câmara de Vereadores de Petrolina, ouvi dele uma observação generosa: vinha acompanhando, com atenção e apreço, as crônicas e matérias publicadas nos blogs do jornalista Magno Martins e em veículos locais. Em seguida, fez-me uma sugestão que soou como dever moral: “Professor Remígio, precisamos homenagear um nome que tem história na medicina de Petrolina”. Perguntei, de pronto, quem seria. A resposta veio sem hesitação: Dr. Euclides Marinho, recentemente aposentado do Hospital Dom Malan.
Aceitei imediatamente a sugestão. Não apenas pela relevância do nome indicado, mas porque conheço o Dr. Euclides desde a sua chegada a Petrolina e com ele construí uma amizade sólida, marcada pelo respeito, pela convivência fraterna e pela admiração profissional. Solicitei, então, alguns dados biográficos que aqui registro com satisfação, conscientes de que nenhuma síntese será capaz de abarcar plenamente a grandeza de sua trajetória.
A aposentadoria do Dr. Euclides não representa encerramento, mas consagração. São 42 anos dedicados à Medicina, dos quais 36 anos como plantonista do Hospital Dom Malan e servidor do Estado, exercidos com rigor técnico, equilíbrio emocional e profunda humanidade. A ginecologia — área que exige ciência apurada e sensibilidade permanente — encontrou nele um profissional completo, seguro em suas decisões e atento à dignidade de cada paciente.
É preciso registrar um aspecto de especial relevância: segundo informações de amigos da sua área afirmam que desde a abertura e criação de internatos e residências médicas no Hospital Dom Malan, Dr. Euclides exerceu também o papel de preceptor dos estudantes de Medicina, formando gerações de médicos. Ensinou não apenas protocolos e condutas clínicas, mas valores essenciais da prática médica: responsabilidade, ética, respeito ao sofrimento humano e compromisso com a vida. Seu legado, portanto, multiplica-se no saber e na postura daqueles que passaram por sua orientação.
Nos corredores do hospital — espaço de urgências, desafios e escolhas difíceis — tornou-se referência de serenidade e confiança. Nunca lhe faltaram presença, escuta e disposição. Sempre solícito, sempre firme, sempre humano. Para as mulheres e famílias do Vale do São Francisco, seu nome passou a significar segurança e cuidado.
Fora do ambiente hospitalar, Dr. Euclides construiu igualmente uma trajetória social exemplar. Na Maçonaria, é irmão de loja, referência ética e Grão-Mestre Adjunto do GOPE, exercendo liderança discreta e efetiva, baseada no exemplo e no serviço. No Lions Clube, reafirma sua vocação para a filantropia e para o compromisso social, traduzindo em ações concretas o ideal de servir.
No âmbito familiar — esse espaço silencioso onde se revelam os verdadeiros fundamentos do caráter — sempre encontrou o alicerce que sustenta grandes caminhadas. Ali se manifestam, de forma íntegra, o homem, o pai, o esposo e o amigo, em plena coerência com a ética praticada na vida pública e profissional.
Essa vocação para cuidar de vidas, contudo, não se limitou à sua trajetória individual; transformou-se em legado familiar. Ao lado da esposa, a Dra. Aguida Maria Ulisses Sobreira Mendes, ginecologista-obstetra de reconhecida competência, Dr. Euclides construiu um verdadeiro núcleo vocacionado à Medicina. Os filhos seguiram o mesmo caminho com mérito próprio e excelência profissional: o filho Dr. Euclides Marinho Mendes, ginecologista-obstetra com atuação em ultrassonografia — colega de estudos de meu filho também médico Rinaldo Remígio Júnior — e o Dr. Vinícius Ulisses Marinho Mendes, ginecologista-obstetra especializado em videolaparoscopia. Todos profissionais exemplares, que honram e ampliam o legado do pai, mantendo vivos os valores éticos, técnicos e humanos que sempre caracterizaram a família.
Com informações do amigo e irmão Afonso Ferreira, a propósito, registre-se que, em 2011, o Dr. Euclides recebeu o Título de Cidadão Petrolinense, reconhecimento formal de uma cidade que o acolheu e que, por ele, foi igualmente cuidada ao longo de décadas. Em momento oportuno, com a devida justificativa do Projeto de Decreto Legislativo, esse capítulo merecerá destaque próprio, como símbolo do vínculo definitivo entre o médico e Petrolina.
Assim, sua aposentadoria não é ponto final. É uma vírgula generosa. Permite-lhe olhar para trás com orgulho sereno e seguir adiante com a tranquilidade de quem cumpriu, com excelência, sua missão.
Dr. Euclides Marinho permanece onde realmente importa: na história da saúde pública, na formação de novos médicos, no cuidado com gerações de famílias e na memória afetiva desta cidade.
Nossa homenagem, nosso respeito e nossa gratidão.
Por Rinaldo Remígio Mendes






