Uma homenagem a Dom Paulo Cardoso: 40 anos de posse canônica como Bispo de Petrolina (PE)

Há 40 anos atrás, na Festa de São José Operário, Dom Frei Paulo Cardoso da Silva, O.Carm, assumia o governo pastoral da Diocese de Petrolina (PE) como seu 6° Bispo Diocesano.

Das mãos de Dom Gerardo Andrade Ponte, Dom Paulo recebeu o báculo pastoral para apascentar o rebanho desta Igreja Particular por quase 27 anos, imprimindo sua marca missionária e de amor às vocações.

 Confira a homenagem de Rivelino Liberalino ao bispo emérito:

“Evangelizare pauperibus” ( evangelizar os pobres) – não apenas um lema , mas uma vida inteira de entrega.

Há homens que falam muito. E há aqueles cuja vida inteira é uma pregação silenciosa, firme, amorosa, como a de Dom Paulo Cardoso.

Neste dia em que celebramos quarenta anos de plenitude sacerdotal à frente da Diocese de Petrolina, erguemos o coração em gratidão ao Deus da Vida por nos ter enviado um pastor manso, justo e profundamente evangélico, oriundo da Ordem dos Carmelitas, uma das mais belas expressões do espírito mendicante e da minoridade cristã.

Frei Paulo, como o povo carinhosamente insiste em chamá-lo, encarnou o espírito do Carmelo, não como alguém que desejasse ser visto, mas como aquele que desejava que apenas Cristo aparecesse. Seu jeito simples de quem vive o que prega, expressão visível da simplicidade carmelitana, fez opção pelos pequenos, pelos invisíveis. E foi nesse chão que ele plantou, cuidou e colheu frutos de justiça, fraternidade e fé viva.

Durante os 26 anos como bispo titular de Petrolina, Dom Paulo não apenas administrou uma diocese, ele a amou com as entranhas da alma. Foi presença discreta, mas firme. Homem de profunda cultura e vasto conhecimento, falante de línguas  poliglota), e ainda assim, optou pela linguagem mais difícil de ser aprendida: a linguagem da humanidade.

Num mundo de aparências, ele foi essência, Num tempo de discursos, ele foi silêncio fecundo. Num cenário eclesial, por vezes tomado por ritos vazios, ele foi ética encarnada e testemunho vivo do Evangelho.

Seu jeito despojado, suas sandálias gastas nas romarias da fé, como a de Santa Cruz da Venerada, sua proximidade com os excluídos e sua fidelidade incansável à boa Nova fizeram dele um verdadeiro apóstolo do Sertão. Ele não apenas evangelizou os pobres: fez-se um com eles.

Hoje, ao recordarmos essa trajetória, não prestamos apenas uma homenagem a um homem, celebramos uma vida ofertada. Uma vida que continua dizendo, com cada gesto, com cada silêncio, com cada renúncia:

“Cristo basta”.

Dom Paulo, Petrolina lhe deve muito. A igreja lhe deve ainda mais. E nós, que fomos tocados pela sua presença, pelo seu pastoreio e pela sua fé sem alarde, nos ajoelhamos em gratidão.

Obrigado, Dom Paulo, por viver o evangelho no escondimento. Obrigado por mostrar que a santidade ainda caminha entre nós. Obrigado por ser farol, mesmo preferindo a sombra.

Que Deus continue sendo sua morada. E que sua vida continue sendo para todos nós evangelho vivo e aberto.

Rivelino Liberalino.

(Foto: Instagram Diocese de Petrolina).

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