Paulo Câmara subscreve Carta do Consórcio Nordeste repudiando perseguição a gestores e condenando invasão a hospitais

    O Governador de Pernambuco, Paulo Câmara, assinou  uma carta do Consórcio Nordeste em repúdio a atitude do presidente Jair Bolsonaro  em incentivar  a população a invadir hospitais para  checar ocupação durante a pandemia do coronavírus.

    Na Carta assinada, também, por outros 08 governadores do nordeste é destacado que a atitude do presidente  vai de encontro com todos os protocolos médicos estabelecidos, desrespeita  profissionais e coloca  a vida das pessoas em risco.

    Na informação divulgada por Bolsonaro, durante LIVE, ele estimula a população a “arranjar um jeito” para fazer o fiscalização.  “Tem um hospital de campanha perto de você, tem um hospital público, arranja uma maneira de entrar e filmar. Muita gente tá fazendo isso, mas mais gente tem que fazer, para mostrar se os leitos estão ocupados ou não, se os gastos são compatíveis ou não. Isso nos ajuda”, destacou o presidente.

    CONFIRA A ÍNTEGRA DA CARTA DOS GOVERNADORES DO NORDESTE

    “Não é invadindo hospitais e perseguindo gestores que o Brasil vencerá a pandemia”

    Os governadores de Estado têm lutado fortemente contra o coronavírus e a favor da saúde da  população, em condições muito difíceis.

    Ampliamos estruturas e realizamos compras de equipamentos e insumos de saúde de forma emergencial pelo rápido agravamento da pandemia. Foi graças à ampliação da rede pública de saúde, executada essencialmente pelos Estados, que o país conseguiu alcançar a marca de 345 mil brasileiros recuperados pela Covid-19 até agora, apesar das mais de 41 mil vidas lamentavelmente perdidas no país.

    Desde o início da pandemia, os Governadores do Nordeste têm buscado atuação coordenada com o Governo Federal, tanto que, na época, solicitamos reunião com o Presidente da República, Jair Bolsonaro, que foi realizada no dia 23/03/2020, com escassos resultados. O Governo Federal adotou o negacionismo como prática permanente, e tem insistido em não reconhecer a grave crise sanitária  enfrentada pelo Brasil, mesmo diante dos trágicos números registrados, que colocam o país como o segundo do mundo, com mais de 800 mil casos.

    No último episódio, que choca a todos, o presidente da República usa as redes sociais para incentivar as pessoas a INVADIREM HOSPITAIS, indo de encontro a todos os protocolos médicos, desrespeitando profissionais e colocando a vida das pessoas em risco, principalmente aquelas que estão internadas nessas unidades de saúde.
    O presidente Bolsonaro segue, assim, o mesmo método inconsequente que o levou a incentivar aglomerações por todo o país, contrariando as orientações científicas, bem como a estimular agressões contra jornalistas e veículos de comunicação, violando a liberdade de imprensa garantida na Constituição.

    Além de tudo isso, instaura-se no Brasil uma inusitada e preocupante situação. Após ameaças políticas reiteradas e estranhos anúncios prévios de que haveria operações policiais, intensificaramse as ações espetaculares, inclusive nas casas de governadores, sem haver sequer a prévia oitiva dos investigados e a requisição de documentos. É como se houvesse uma absurda presunção de que todos os processos de compra neste período de pandemia fossem fraudados, e governadores de tudo saberiam, inclusive quanto a produtos que estão em outros países, gerando uma inexistente  responsabilidade penal objetiva.

    Tais operações produzem duas consequências imediatas. A primeira, uma retração nas equipes técnicas, que param todos os processos, o que pode complicar ainda mais o imprescindível combate à pandemia. O segundo, a condenação antecipada de gestores, punidos com espetáculos na porta de suas casas e das sedes dos governos.

    Destacamos que todas as investigações devem ser feitas, porém com respeito à legalidade e ao bom senso. Por exemplo, como ignorar que a chamada “lei da oferta e da procura” levou a elevação de preços no MUNDO INTEIRO quanto a insumos de saúde?

    Ressalte-se que, durante a pandemia, houve dispensa de licitação em processos de urgência, porque a lei autoriza e não havia tempo a perder, diante do risco de morte de milhares de pessoas. A Lei Federal 13.979/2020 autoriza os procedimentos adotados pelos Estados.

    Estamos inteiramente à disposição para fornecer TODOS os processos administrativos para análise de qualquer órgão isento, no âmbito do Poder Judiciário e dos Tribunais de Contas. Mas repudiamos abusos e instrumentalização política de investigações. Isso somente servirá para atrapalhar o combate ao coronavírus e para produzir danos irreparáveis aos gestores e à sociedade.

    Deixamos claro que DEFENDEMOS INVESTIGAÇÕES sempre que necessárias, mas de forma isenta e responsável. E, onde houver qualquer tipo de irregularidade, comprovada através de processo justo, queremos que os envolvidos sejam exemplarmente punidos.

    Assinam esta carta:

    Rui Costa
    Governador da Bahia

    Renan Filho
    Governador de Alagoas

    Camilo Santana
    Governador do Ceará

    Flávio Dino
    Governador do Maranhão

    João Azevedo
    Governador da Paraíba

    Paulo Câmara
    Governador de Pernambuco

    Wellington Dias
    Governador do Piauí

    Fátima Bezerra
    Governadora do Rio Grande do Norte

    Belivaldo Chagas
    Governador de Sergipe

     

    12 de Junho de 2020

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