Menino de 8 anos morre com suspeita de meningite bacteriana após passar por três hospitais de Pernambuco

Um menino de 8 anos morreu com suspeita de meningite bacteriana no Recife. De acordo com a família, Benjamin Leite Costa começou a apresentar os sintomas durante uma viagem a Gravatá, no Agreste do estado, e foi atendido em três unidades de saúde antes de morrer, na terça-feira (7), no Hospital Geral de Areias, na Zona Oeste da capital pernambucana.

A Secretaria Estadual de Saúde (SES) informou que o caso está sob investigação. Em entrevista ao g1, o pai da criança, Adejair Pereira da Costa, contou que a equipe médica não soube informar a doença que o garoto tinha e disse que o diagnóstico só foi registrado na autópsia após análise do Serviço de Verificação de Óbito (SVO).

De acordo com a família, menos de 24 horas depois de dar entrada no hospital, o menino teve uma reação a um medicamento e foi entubado e internado numa Unidade de Terapia Intensiva (UTI) “improvisada” dentro da enfermaria. Para os pais, houve negligência.

“[Disseram] que meu filho tinha falecido de morte natural, mas não sabiam a causa. E encaminharam para o SVO. Quando fui lá no SVO, a assistente social falou comigo, ela disse que esse caso não é para eles, mas para o IML (Instituto de Medicina Legal), porque a gente estava suspeitando de negligência. A médica que fez a autópsia disse que não tinha necessidade [de encaminhar para o IML] porque identificou a causa da morte. Está lá no registro que a causa da morte foi por meningite”, afirmou.

Segundo Adejair, Benjamin começou a apresentar vômito e se queixar de dor de cabeça na Sexta-feira Santa, em 3 de abril. No mesmo dia, ele disse que levou o menino para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Gravatá. A criança foi liberada depois de tomar dipirona e medicação para a náusea.

Depois de apresentar uma leve melhora, o garoto voltou a sentir os sintomas na noite do sábado, 4 de abril, e continuou tomando os medicamentos receitados na UPA até a família voltar para casa, no bairro de Pau Amarelo, em Paulista, no Grande Recife.

“Quando chegamos em casa, no domingo, meu filho estava estável. Passou, almoçou conosco. E por volta das 18h, no domingo, ele apresentou vômitos, novamente febre. Então, foi feita a medicação. Na segunda-feira (6), meu filho amanheceu vomitando e com febre”, disse Adejair.

A família, então, resolveu levar a criança para a UPA de Jardim Paulista. Lá, segundo o pai, a equipe médica passou, novamente, dipirona para o paciente. “Nem sequer colheram o sangue para saber. E a gente já tinha informado que era o terceiro dia em que ele apresentava esse quadro. Mesmo assim, não fizeram nenhum tipo de exame. Deram alta”, contou.

Na noite da segunda (6), a mãe do menino percebeu que ele estava com manchas vermelhas no braço e o garoto foi levado para o Hospital da Criança, no bairro de Areias, na Zona Oeste do Recife. Adejair disse que não conseguiu entrar com o filho na unidade.

“Não era para entrar, porque lá não tinha emergência nem urgência. Lá só atende pessoas que sejam encaminhadas através de regulação ou que venham de outro hospital. E me mandaram para o outro lado, porque o Hospital da Criança é de um lado e, do outro, é o Hospital Geral de Areias. Levei para o Hospital Geral de Areias, onde ele foi atendido”, afirmou.

Procurada, a Secretaria de Saúde do Recife informou que o Hospital da Criança não possui serviço de emergência, com atendimento por demanda espontânea, e negou que tenha havido recusa de atendimento.

“O HCR presta atendimento ambulatorial, internação e exames a pacientes encaminhados por unidades da rede municipal via Central de Regulação. Desde sua concepção, a unidade foi projetada para ampliar a oferta de consultas especializadas, exames e cirurgias de quem está na fila de espera da regulação do Recife, ou seja, com residência na capital pernambucana”, disse em nota.

No Hospital de Areias, o garoto ficou, inicialmente, numa enfermaria com outras quatro crianças, segundo o pai. Durante o internamento, foram feitas três coletas de sangue do menino. Em uma delas, o médico descartou que ele estava com dengue, mas o resultado do terceiro exame deu inconclusivo.

“Quando chegou o resultado do exame de sangue do meu filho, por volta de meio-dia, já era hora de almoço. Meu filho já não estava comendo direito e respondendo aos estímulos. Eu dizia: ‘Benjamin, é teu pai, come para poder tu ficar bem’. Só que meu filho não reagiu. Foi quando chegou o médico e disse: ‘seu filho não tem dengue, mas está com suspeita de uma bactéria’. Mas não disseram que bactéria seria essa”, contou.

Depois disso, de acordo com Adejair, o médico passou um antibiótico e, assim que tomou a injeção, o menino teve uma reação ao medicamento, apresentando placas vermelhas pelo corpo.

“O quadro dele evoluiu assustadoramente. Botaram meu filho em uma UTI improvisada […]. Quando deu 17h, disseram que tinham conseguido um leito no Hospital Oswaldo Cruz e que meu filho seria transferido. Só que essa ambulância chegou às 21h30. Quando começaram os preparativos, meu filho veio a óbito. Ele não conseguiu nem sair dessa UTI improvisada. Meu filho só tinha 8 anos. Era o cara mais animado do mundo”, declarou.

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