Um dos maiores desafios de se comunicar com eficiência é atingir exatamente o público-alvo. Falar com o público é completamente diferente de ser percebido e compreendido pelo ouvinte. Mais desafiador ainda é atingir as massas, ser “consumido” por milhares de pessoas com variadas idades, gênero, condição social e culturas. Isso é quase uma arte.
Vivemos hoje um momento da comunicação em que existe um excesso de informação e prender a atenção é algo extremamente desafiador. São inúmeras formas de se informar, e o mais palpável está nas mãos, o celular. Foi-se o tempo em que as opções eram ligar o rádio e a tv em certos horários, ou abrir um jornal de manhã cedo. O consumo da notícia é instantâneo, uma enxurrada de conteúdos ao abrir os olhos e pegar o celular após o despertador tocar.
Nesse cenário de poluição visual e sonora, de quase sufocamento de informação constante, como se manter relevante? Como ser ouvido e compreendido pelas massas? E como fazer isso num veículo que erroneamente é tratado como ultrapassado, o rádio?
Eu posso teorizar os motivos. Mas a resposta clara pode ser explicada em Petrolina por um radialista cujo programa completou 29 anos. Edenevaldo Alves é respeitado e ao mesmo tempo criticado pelo seu estilo. Para alguns faz uma comunicação “popular” demais. Para milhares de pessoas é porta voz.
Já tive conversas com Edenevaldo sobre seu estilo e ele revelou: “posso não ter a voz mais aveludada ou ter um estilo mais sofisticado, mas eu entendo de gente, eu sei o que o povo quer falar e ouvir”. Comunicação real, na essência.
Edenevaldo consegue falar e se fazer compreendido por cidadãos comuns de todas as formações. Ao mesmo tempo debate com autoridades, juízes, especialistas em diversas áreas e traduz para o público. A cadeira que senta uma senhora humilde que pede uma doação de roupa ou faz uma vaquinha para uma cirurgia, é exatamente o mesmo lugar onde já sentaram senadores, juízes, médicos e outras autoridades de conhecido prestígio.
Assim como outros comunicadores de massa, Edenevaldo construiu uma trajetória com técnica e método. Não é aleatório, nem improviso por talento. É uma construção histórica de décadas à frente de um microfone, refinando e ajustando todos os dias.
Alguns leriam esse texto como um elogio, quase uma bajulação. Não se trata disso. É um retrato objetivo. Edenevaldo enfrentou e se adaptou a profundas mudanças tecnológicas da comunicação ao longo de 30 anos, no rádio, no ambiente digital e segue relevante, ouvido por milhares todos os dias. Mantém o que inúmeros especialistas e profissionais de comunicação lutam uma vida sem alcançar. Conseguiu por um motivo claro. Edenevaldo tem a linguagem do povo.
Por Junior Vilela
Jornalista






