Irmãos suspeitos de abusar sexualmente de mais de 12 meninos são presos em Olinda (PE)

Dois irmãos suspeitos de abusar sexualmente meninos com idades entre 6 e 13 anos foram presos no bairro de Rio Doce, em Olinda, na Região Metropolitana do Recife (RMR).

Os detalhes foram apresentados pela Polícia Civil de Pernambuco, em coletiva de imprensa na manhã desta quinta-feira (5), no Recife.

De acordo com os delegados Gilmar Rodrigues, titular da Delegacia de Rio Doce, e Kelly Luna, adjunta da Diretoria Integrada Metropolitana (DIM), os irmãos foram identificados como Alexandre Fernandes, de 45 anos, e Francisco Fernandes, de 41 anos.

Eles foram detidos entre a manhã da última quarta (4) e a madrugada desta quinta (5).

Os delegados ressaltaram que todas as vítimas, sem exceção, eram vizinhas, parentes ou sobrinhas dos suspeitos e conviviam com eles.

Os suspeitos aliciavam as crianças oferecendo lanches, doces, brinquedos, videogames e dinheiro, cometendo diversos atos ilícitos enquanto se revezavam na prática dos crimes.

“Os irmãos saíam de manhã, trabalhavam fazendo reciclagem e voltavam já com dinheiro nas mãos. Então, eles colocavam crédito no celular para as crianças jogarem, davam dinheiro, compravam lanches, e dentro da casa deles, mesmo com todos os familiares residentes estando presentes, irmãs, sobrinha, eles abusavam sexualmente dessas crianças”, explicou Gilmar Rodrigues, delegado titular de Rio Doce.

A primeira denúncia surgiu da mãe de um menino de 12 anos, que registrou em seu celular as violações sofridas e contou à mãe, que acionou a polícia. Além dela, uma vizinha notou comportamentos estranhos em seu filho de 6 anos e descobriu que, além dele, seus dois enteados também eram vítimas de abuso e exploração sexual.

Após essas denúncias, alguns vídeos dos crimes sexuais cometidos pelos irmãos começaram a circular pelo bairro. Como consequência, várias outras vítimas relataram ter sido abusadas pelos suspeitos e, acompanhadas por seus responsáveis, denunciaram os fatos às autoridades, o que provocou grande repercussão e indignação entre os moradores da região.

No total, a Polícia Civil instaurou 12 inquéritos para investigação dos irmãos por estupro de vulnerável.

Com a circulação dos vídeos, Francisco Fernandes, conhecido como Chiquinho, fugiu para São João, município vizinho de Garanhuns, no Agreste do estado, onde foi detido na última quarta-feira (4). Já Alexandre Fernandes, conhecido como Boca, foi preso em Rio Doce, na madrugada desta quinta-feira (5), enquanto tentava fugir da polícia.

As duas prisões foram conduzidas e realizadas com o apoio de conhecidos e parentes dos investigados. Segundo a PCPE, os dois suspeitos confessaram os crimes com muita frieza e sem demonstração de remorso, e admitiram ser usuários e traficantes de drogas ilícitas, como maconha e crack.

“Os dois aliciavam as crianças dando brinquedos, videogames, dinheiro, lanches, e cometiam todo tipo de violação contra elas, como ‘sexo’ oral e anal, enquanto se revezavam durante os atos criminosos. Eles também confessaram que além de serem usuários de maconha e de crack, também são envolvidos com o tráfico de drogas”, destacou Gilmar.

Os suspeitos moravam na mesma casa onde as violências sexuais ocorriam. Em um dos vídeos, é possível perceber que algumas pessoas que frequentavam a residência, como irmãs e sobrinhas deles, tinham conhecimento dos abusos, mas não os denunciaram à polícia, algumas por medo, devido ao envolvimento dos irmãos com o tráfico, e outras por omissão.

“Quando um deles terminava o estupro, o outro dava continuidade, e, se esses abusos acontecessem à tarde, durava a tarde inteira, não apenas com os dois revezando, mas também trocavam e alternavam as crianças e adolescentes, que têm idades entre 6 e 13 anos”, ressaltou.

A Polícia Civil informou que, além dos 12 inquéritos instaurados, a Delegacia de Rio Doce, durante a entrevista coletiva, recebeu mais cinco denúncias de outros meninos que alegaram ter sido vítimas dos irmãos, totalizando, até o momento, 17 inquéritos.

“Eu perguntei a Chiquinho quanto tempo fazia que eles abusavam sexualmente dessas crianças e ele me disse que fazia aproximadamente cinco anos. Alguns parentes suspeitavam e sabiam, mas fechavam os olhos, assim como as sobrinhas deles, uma delas de 20 anos, que foram abusadas também no passado. Era tipo assim: via e deixava acontecer”, esclareceu o delegado.

Os delegados da PCPE afirmaram que parentes, conhecidos e outras pessoas que tinham conhecimento dos abusos e não os denunciaram à polícia serão investigados por omissão. (Foto: John Willian de Santana/Folha de Pernambuco).

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