Fernando Bezerra Coelho: A História de Quem Fez e Continua Inspirando Gerações
Por Rinaldo Remígio
Há homens públicos que ocupam cargos. Outros constroem trajetórias. E há aqueles que, ao longo do tempo, conseguem transformar funções em legado — fazendo da vida pública um verdadeiro instrumento de desenvolvimento. Assim se revela a história de Fernando Bezerra Coelho, cuja caminhada se confunde com o próprio processo de crescimento de Petrolina e do Sertão do São Francisco.
Nascido em 07 de dezembro de 1957, em Petrolina, Fernando Bezerra Coelho traz, em sua origem, a marca do Sertão e de uma tradição política que ajudou a moldar o desenvolvimento de Pernambuco. Desde cedo, demonstrou vocação para a vida pública, iniciando sua trajetória ainda jovem, após passagem pela iniciativa privada.
Em 1979, assume uma função que, embora muitas vezes pouco lembrada, tem forte significado em sua formação administrativa: a de Superintendente da Autarquia Educacional do Vale do São Francisco, cargo que exerceu até 1982. Trata-se de uma experiência relevante, sobretudo por envolver a gestão educacional — área estratégica para o desenvolvimento regional. Permita-me registrar, neste ponto, uma coincidência que me honra: anos mais tarde, tive a oportunidade de também ocupar essa mesma função, no período de 2009 a 2016, o que me permite compreender, com maior proximidade, a dimensão e a responsabilidade daquele cargo.
Sua entrada na vida pública ocorreu na década de 1980. Entre 1983 e 1987, exerceu o mandato de deputado estadual, período em que já demonstrava firme atuação nas áreas de finanças e organização administrativa. Em seguida, participou da histórica Assembleia Nacional Constituinte (1987–1988), contribuindo em comissões relevantes, inclusive como relator na área tributária — inserindo-se, desde cedo, no centro das grandes decisões nacionais.
Na Câmara dos Deputados, entre 1991 e 1992, consolidou sua atuação parlamentar, destacando-se pela participação em comissões estratégicas ligadas à economia e ao sistema tributário. Contudo, foi no Executivo municipal que sua liderança encontrou o campo mais fértil para realizações concretas.
Eleito prefeito de Petrolina por três mandatos (1992, 2000 e 2004), protagonizou um ciclo de profundas transformações urbanas e administrativas. Sob sua gestão, a cidade consolidou sua vocação econômica, ampliando investimentos em infraestrutura, fortalecendo o agronegócio irrigado e impulsionando o comércio e os serviços. Petrolina deixou de ser apenas uma cidade promissora para se afirmar como referência nacional de desenvolvimento fora das capitais.
Sua experiência administrativa também se expandiu no âmbito estadual. Entre 1985 e 1986, exerceu a função de Secretário-Chefe da Casa Civil de Pernambuco e, posteriormente, entre 1997 e 1998, foi Secretário de Agricultura, reforçando políticas voltadas ao setor produtivo. Já no período de 2007 a 2010, como Secretário de Desenvolvimento Econômico, liderou uma das fases mais dinâmicas da economia pernambucana, sendo responsável pela articulação de grandes investimentos estruturadores, como o fortalecimento do Complexo Industrial Portuário de Suape e a atração de empreendimentos industriais de grande porte, que impulsionaram a geração de emprego e renda em todo o Estado.
No plano federal, assumiu, entre 2011 e 2013, o Ministério da Integração Nacional. Sua gestão foi marcada por foco em resultados, planejamento estratégico e modernização administrativa. Implantou um novo modelo de gestão baseado na transparência e na eficiência, ampliando significativamente o orçamento da pasta e a capacidade de execução de obras e programas. Destacam-se ações como a construção de mais de 1.300 km de adutoras e canais, a entrega de mais de 200.000 mil cisternas no semiárido e a estruturação de políticas nacionais de defesa civil e desenvolvimento regional .
Nesse período, teve atuação decisiva em projetos estruturantes, especialmente na consolidação das políticas de convivência com o semiárido e no avanço das obras de integração do Rio São Francisco — compreendendo, com a sensibilidade de quem conhece a realidade nordestina, que água é sinônimo de vida, dignidade e desenvolvimento.
No Senado Federal, onde exerceu mandato entre 2015 e 2023, destacou-se como uma das principais lideranças políticas do país, inclusive ocupando a função de líder do governo. Sua atuação foi marcada pela defesa de investimentos em infraestrutura hídrica, pelo apoio ao setor produtivo e pela participação ativa em matérias de grande relevância para o Brasil .
Registro aqui o depoimento do então presidente do senado, Pacheco: “Vossa Excelência se destaca no Senado Federal por sua capacidade de aglutinação, busca de consensos e soluções, e nenhuma intransigência. O Senado o tem em alta conta. Essa presidência o tem em alta conta”, afirmou Pacheco, lembrando uma série de propostas articuladas por Fernando Bezerra.
Permita-me, aqui, um registro de natureza pessoal. Conheço Fernando Bezerra Coelho desde os primeiros dias em que cheguei a Petrolina. Ainda jovem, já observava nele uma liderança que se destacava pela firmeza, pela capacidade de articulação e pela visão de futuro. Recordo, de forma muito especial, o período da minha formatura em Administração de Empresas, da qual fui o orador, quando, entre colegas e professores, decidimos convidá-lo para ser patrono da turma. Não foi uma escolha casual — já víamos nele um homem público preparado, dotado de inteligência política e sensibilidade administrativa, capaz de nos inspirar naquele momento tão simbólico de transição para a vida profissional. Sua presença naquela ocasião não apenas abrilhantou a solenidade, mas reforçou em todos nós a convicção de que o conhecimento aliado à liderança pode, de fato, transformar realidades.
Ao longo de sua vida pública, Fernando Bezerra Coelho consolidou-se como parte de uma tradição política que tem no Vale do São Francisco um de seus pilares mais sólidos. Uma tradição que não se limita à ocupação de cargos, mas que se traduz em entregas reais à população.
Mais do que um currículo extenso, sua trajetória revela coerência — a coerência de quem compreendeu seu tempo, sua terra e suas responsabilidades. De quem soube dialogar com diferentes esferas de poder sem perder o foco naquilo que realmente importa: o desenvolvimento regional com inclusão, planejamento e sustentabilidade.
Hoje, ao observarmos o crescimento de Petrolina e a força econômica do Sertão do São Francisco, percebe-se que há, por trás desse avanço, a contribuição de líderes que souberam planejar o futuro.
Entre eles, Fernando Bezerra Coelho ocupa lugar de destaque.
Porque, em última análise, sua história não é apenas a de um político bem-sucedido. É a de um construtor de caminhos — alguém que ajudou a transformar o potencial do Sertão em realidade concreta, fazendo de sua trajetória um verdadeiro capítulo de progresso na história de Pernambuco e do Brasil.
Rinaldo Remígio é Professor universitário aposentado, administrador, contador, historiado e mestre em economia.
(Fontes: Wikipédia, Senado Federal, Câmara dos Deputados, Blogs do Magno e Finfa)






