‘É preciso fechar Dilma, Temer e FHC numa sala e não deixar eles saírem de lá’, diz empresário

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    Para os chineses, crise significa perigo e oportunidade. E é assim que eu gosto de ver a crise. Foi com essa frase que o empresário Abilio Diniz, sócio da BRF e Carrefour, começou sua palestra sobre como sair da crise no evento EXAME Fórum, que aconteceu nesta segunda-feira.

    O vice-presidente Michel Temer, o juiz Sérgio Moro e o ministro da Fazenda Joaquim Levy também participaram.

    “O Brasil é mais forte que suas crises e seus governos”, disse o empresário. “Já vivi tanta coisa e não é nem de longe a pior crise, nem de perto”.

    Para Abilio, a crise no Brasil é política e não econômica. “Está na hora dos políticos se entenderem. Tem que jogar todos os maiores políticos desse país, Dilma Rousseff, Michel Temer e Fernando Henrique Cardoso, trancar em uma sala e não deixar eles saírem de lá sem um acordo”, afirmou o empresário.

    O Brasil tem alguns nós estruturais, como o da aposentaria, que precisam ser resolvidos. “Precisamos nos reformar com reforma política, com a imensa teia de aranha que é o sistema tributário brasileiro”, afirmou. “É preciso reorganizar o país, mas isso só vai acontecer se os políticos se entenderem”.

    Questionado pela plateia sobre qual seria sua reação se um líder chegasse com déficit em uma de suas empresas, o empresário foi enfático:

    “Minha vontade seria mandá-lo embora. Mas, como presidente do conselho, também é minha obrigação questioná-lo, estimulá-lo, ajudá-lo a corrigir”, afirmou. “De novo: não há nada mais para sugerir ao país do que uma reforma política”.

    Olhar o espelho

    O empresário acredita ainda que não adianta colocar a culpa da situação das empresas na presidente ou ministros.

    “Todos estão em um fogo cruzado, sem conseguir colocar na prática o que pretendem e precisam fazer”, disse ele. “Mas, em vez de olhar a janela, é preciso olhar o espalho e ver no que posso melhorar”.

    Se as empresas não se tornarem competitivas, elas só darão espaço para os concorrentes que estão de fora, acredita o empresário. “E garanto, quando o país voltar a crescer, crescerá muito”, disse.

    Para ele, é preciso que as empresa e pessoas, assim como o governo, entendam que é preciso produzir mais – sem deixar de acreditar no país.

    Investimento, liderança e capacitação seriam as armas para que o país seja viável, em todos os aspectos, assim como as empresas.

    Outras três diretrizes são: corte, concentre e simplifique.

    Dar atenção ao caixa e compartilhar informações, com outras empresas, e até outros setores, também é fundamental.

    “Não tomar decisões antes do tempo e nem no escuro, com uma negociação clara e informações bem analisadas, é outra regra”, disse ele.

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