Em seu primeiro discurso como presidente afastada, na manhã desta quinta-feira, Dilma Rousseff disse que o processo de impeachment é “fraudulento” e um “verdadeiro golpe”.
Aplaudida diversas vezes durante sua fala, a petista disse que o que está em jogo no processo é “o respeito às urnas, a vontade soberana do povo brasileiro e a Constituição”.
Ela ainda afirmou que não cometeu crime de responsabilidade e que está sendo alvo de injustiças.
“É um processo frágil, juridicamente incompetente, é a maior das brutalidades que pode ser cometida contra qualquer ser humano: puní-lo por um crime que não cometeu. Não existe injustiça mais devastadora do que condenar um inocente.”
A presidente afastada afirmou também que o processo partiu de uma oposição “inconformada” com o resultado das eleições e que passou a “conspirar abertamente” pelo seu afastamento.
“Tenho sido alvo de intensa e incessante sabotagem. O objetivo evidente tem sido me impedir de governar.”
E acrescentou que o maior risco para o país é ser dirigido por um governo “sem voto, que não tem legitimidade”.
Apesar de se referir ao processo como um dos “desafios” mais dolorosos que já enfrentou, ao lado da tortura e do câncer, Dilma diz que “vai lutar com todos os instrumentos legais” para exercer seu mandato até o fim.
“A população saberá dizer não ao golpe. Aos brasileiros que são contra o golpe, faço um chamado: mantenham-se mobilizados, unidos e em paz. A luta para democracia não tem data para terminar. E nós vamos vencer.”
Enquanto falava, Dilma foi cercada por senadores e deputados aliados, ex-ministros e ministros, como Aloizio Mercadante (Educação) e Izabella Teixeira (Meio Ambiente), a maioria com peças de roupa vermelhas.
Antes do pronunciamento, do lado de fora do Palácio do Planalto, grupos favoráveis a Dilma se reuniram para esperar a saída da petista. Dentro do local, o esquema de segurança foi reforçado.
A presidente foi intimada da decisão do Senado de afastá-la do cargo na manhã desta quinta-feira (12). O 1º secretário do Senado, senador Vicentinho Alves (PR-TO), levou à Dilma o mandado de intimação assinado pelo presidente da Casa, Renan Calheiros, comunicando a instauração do processo de impedimento por crime de responsabilidade.
No mandado de intimação, Renan lembra que a Câmara dos Deputados autorizou a instauração do processo e que o Senado admitiu o seu prosseguimento em sessão iniciada no dia 11 de maio e encerrada na manhã desta quinta-feira (12).
A partir desse momento, Michel Temer é notificado e se torna o presidente interino do país.
Após o discurso, Dilma deve deixar o Palácio do Planalto pela lateral do prédio, e não descer a rampa, como esperado.
Nesta quinta-feira todos os ministros de Dilma foram exonerados. Um dos primeiros nomes que aparecem é o do ex-presidente Lula, na Casa Civil, que teve a nomeação suspensa. (BBC).






