Um grupo econômico formado por 38 empresas é investigado por sonegação de R$ 287 milhões aos cofres de Pernambuco, segundo levantamento da Secretaria da Fazenda (Sefaz-PE). O valor é resultado de 81 processos administrativos tributários já encaminhados ao Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de Pernambuco (Cira-PE). Uma operação deflagrada nesta quinta-feira (10) cumpriu oito mandados de busca e apreensão contra pessoas e empresas ligadas ao grupo.
A Operação Payback investiga crimes contra a ordem tributária, lavagem de dinheiro e outros delitos. A ação teve como ponto de partida a denúncia de uma empresa de transportes que teria sido vítima de um falso contador. Segundo a Polícia Civil, o investigado manteve a empresa enganada por quase dois anos, apresentando comprovantes falsos de pagamentos de tributos que, na realidade, não eram quitados.
De acordo com o delegado Breno Varejão, titular da Delegacia de Combate aos Crimes Contra a Ordem Tributária (Deccot), os valores retirados da empresa durante o período ultrapassaram R$ 1 milhão. O investigado teria usado a relação de confiança com os gestores para solicitar o reembolso dos valores supostamente pagos em impostos.
“Ele falsificava comprovante de pagamentos que seriam relativos a recolhimento de tributo federal e passava para o gestor da empresa e pedia o reembolso desses valores”, explicou o delegado.
A investigação financeira identificou outras pessoas que teriam colaborado com o falso contador e apontou o uso de empresas dos setores de comércio de veículos e sucata para a lavagem do dinheiro obtido com a fraude.
Ao todo, foram alvos da operação quatro pessoas físicas e quatro pessoas jurídicas. Entre as empresas estão duas do ramo de sucata, uma loja de veículos e uma empresa de consultoria. Entre os investigados estão o falso contador, um familiar apontado como colaborador, um contador e o proprietário de um estabelecimento de sucata.
Durante as buscas, os policiais apreenderam uma arma de fogo, dois simulacros e R$ 45 mil em dinheiro vivo na residência do proprietário de uma empresa de sucata. O dono do estabelecimento foi autuado por posse ilegal de arma. Também foram apreendidos veículos em uma loja, que passarão por análise para verificar se poderão ser submetidos a medidas de sequestro e eventual alienação para ressarcimento dos prejuízos.






