Um mês após entrar em vigor a tarifa de 12,5% para produtos brasileiros — que se somou a outros 25% para uma lista grande de itens —, o governo conseguiu marcar uma reunião virtual entre o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer. Os dois convresarão no próximo dia 31, às 14h30 (horário de Brasília), por telefone.
A conversa não acontece por acaso. Há menos de uma semana, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump acertaram que os seus representantes comerciais discutiriam o assunto. O acerto se deu em um telefonema que durou cerca de uma hora e terminou, segundo descreveu o Planalto, com um tom “amigável e cordial”.
As duas novas tarifas impostas pelos EUA resultaram de investigações com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA de 1974, a Trade Act. Uma das tarifas, aplicada também a outros países, afetou uma lista de produtos brasileiros com uma alíquota de 12,5%, sob a alegação de favorecimento ao trabalho forçado por parte do Brasil. A outra, de 25% e direcionada exclusivamente ao Brasil, teve como justificativa uma série de questões, como o uso do Pix, além de temas ambientais e barreiras de mercado.
O especialista e coordenador de Comércio Internacional da BMJ Consultores, Vito Villar, lembra que o Itamaraty buscava uma ligação com o presidente norte-americano há algumas semanas, para promover a reaproximação entre os dois líderes aos moldes do encontro ocorrido na Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova York, no ano passado, quando ambos afirmaram que houve uma “química” na conversa, mas observa o peso político da proximidade das eleições. “Desta vez, parece que tem uma posição mais organizada dentro do Departamento de Estado e dentro do Departamento de Comércio e do próprio USTR (representante comercial dos EUA) para continuar com essa pressão econômica para cima do Brasil e, de certa forma, conseguir influenciar as eleições para ter um candidato ou presidente que talvez seja mais favorável aos interesses norte-americanos”.






