Justiça anula nomeações de dois professores aprovados por cotas raciais na Universidade Federal de Pernambuco

Dois professores aprovados por cotas raciais em concurso da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) tiveram as nomeações anuladas pela Justiça após candidatos da ampla concorrência questionarem judicialmente a reserva das vagas para cotistas.

As ações alegavam que havia apenas uma vaga disponível para cada área ou departamento e, portanto, não seria atingido o número mínimo de duas vagas exigido pela legislação para a aplicação da reserva de cotas.

A justiça acatou os pedidos, e a UFPE informou que apenas cumpriu a determinação judicial. Segundo a universidade, a medida não partiu de uma decisão administrativa da instituição, que, por integrar a administração pública, tem obrigação legal de cumprir as decisões da Justiça, ainda que exista possibilidade de recurso.

Allison Ruan foi nomeado em 19 de janeiro e começou a exercer a função no início das aulas, em 10 de fevereiro, lecionando a disciplina de Processos Biotecnológicos. Antes de assumir o cargo, o professor passou pela banca de heteroidentificação, que confirmou seu enquadramento como candidato cotista.

Em publicação nas redes sociais, Ruan afirmou que sua nomeação foi desfeita mesmo com a possibilidade de recurso. A defesa informou que pretende recorrer da decisão. “Fui aprovado em concurso público, passei pela heteroidentificação, fui nomeado, tomei posse e entrei em exercício como professor. Ainda assim, minha nomeação foi desfeita em uma disputa judicial que, na prática, coloca em risco a efetividade da política de cotas raciais nos concursos docentes”.

Rafaela Niels é a segunda participante do mesmo concurso da UFPE a perder o cargo depois de ser nomeada oficialmente como docente da instituição. Segundo informações do g1, antes de ser aprovada pelas cotas, ela trabalhava como diretora-geral da Atenção Primária na Secretaria de Saúde de Pernambuco e como coordenadora do curso de medicina de uma faculdade filantrópica em Caruaru.

Rafaela pediu demissão dos dois empregos para assumir o cargo na UFPE, que exigia dedicação exclusiva. Um mês depois de tomar posse no o Departamento de Medicina da Mulher, teve a nomeação anulada por decisão judicial. Ao g1, Rafaela relatou o impacto da decisão e afirmou ter ficado sem renda após deixar os empregos anteriores.

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