Simão Durando: entre a continuidade e a construção do próprio legado

Governar uma cidade do porte de Petrolina nunca foi tarefa simples. A terceira maior cidade de Pernambuco, referência para todo o Vale do São Francisco, exige do gestor muito mais do que vontade política. Exige preparo, sensibilidade, capacidade administrativa e, acima de tudo, compromisso com as pessoas.

É nesse contexto que se insere a trajetória do prefeito Simão Durando.

Petrolinense de nascimento, filho de uma família tradicional da cidade, Simão cresceu acompanhando de perto a vida pública. Ainda jovem compreendeu que administrar não significa apenas ocupar cargos, mas servir à coletividade. Sua formação em Publicidade e Marketing, aliada à pós-graduação em Gestão Empresarial e aos diversos cursos voltados à administração pública, revelou um profissional que buscou se preparar para os desafios que o futuro lhe reservava.

Antes de chegar ao cargo de prefeito, percorreu uma caminhada importante. Atuou como secretário parlamentar, dirigiu o SEST/SENAT de Petrolina e exerceu funções estratégicas nas secretarias municipais de Governo e de Agricultura. Não chegou ao Executivo por acaso; conhecia a máquina pública, suas dificuldades e suas potencialidades.

Em 2020 foi eleito vice-prefeito ao lado de Miguel Coelho. Dois anos depois, assumiu a Prefeitura com a responsabilidade de dar continuidade a um ciclo administrativo que vinha transformando Petrolina. Talvez aí tenha surgido seu maior desafio: provar que poderia manter o ritmo das mudanças sem perder sua própria identidade como gestor. E conseguiu.

Simão optou pelo caminho da continuidade, mas compreendeu que cada administrador precisa deixar sua própria assinatura. Vieram novas escolas, investimentos em infraestrutura, pavimentação de bairros, modernização dos serviços públicos, fortalecimento da transformação digital e importantes obras urbanas, como a Orla III, que ampliou ainda mais a integração da cidade com o majestoso Rio São Francisco.

Sua administração tem sido marcada por um estilo discreto, distante dos holofotes e mais próximo dos canteiros de obras, das comunidades e das entregas concretas. Em tempos em que muitos preferem o espetáculo da política, Simão parece acreditar que o melhor discurso continua sendo o resultado.

Naturalmente, toda gestão pública convive com críticas. Elas fazem parte da democracia e contribuem para o aperfeiçoamento da administração. Afinal, governar é decidir, e toda decisão produz aplausos e discordâncias. O importante é que o debate permaneça no campo das ideias, sempre orientado pelo interesse coletivo.

Ao observar a história política de Petrolina, percebo que cada prefeito deixou sua contribuição. Uns abriram caminhos para a irrigação; outros investiram na educação, na saúde, na mobilidade ou na modernização administrativa. Nenhum governante constrói uma cidade sozinho. Cada um acrescenta um capítulo à longa história iniciada por aqueles que sonharam com uma Petrolina cada vez maior.

Com Simão Durando não é diferente. Seu legado ainda está sendo escrito. A História, essa juíza serena e imparcial, somente fará sua avaliação quando o tempo concluir seu trabalho. Mas já é possível reconhecer que sua gestão busca consolidar um modelo de administração pautado pelo planejamento, pela continuidade das políticas públicas e pela busca permanente da eficiência.

Petrolina continua crescendo, atraindo investimentos, fortalecendo sua economia e ampliando sua influência muito além das fronteiras do Sertão. Isso não é obra de um único homem, mas de uma construção coletiva que atravessa gerações de gestores, servidores e cidadãos comprometidos com o desenvolvimento da cidade.

Ao final, talvez o maior ensinamento seja este: os bons administradores não governam apenas para o presente. Trabalham para que, no futuro, a cidade fale por eles. E quando as obras permanecem, os serviços melhoram e a população percebe os avanços em seu cotidiano, o tempo se encarrega de transformar gestão em legado.

Que Petrolina continue sendo exemplo de desenvolvimento para Pernambuco e para o Nordeste, e que seus governantes, independentemente de suas diferenças políticas, jamais percam de vista que o verdadeiro patrimônio de uma cidade é o bem-estar do seu povo. Afinal, os mandatos passam, mas as boas obras permanecem, escrevendo silenciosamente a história das grandes cidades.

Por Rinaldo Remígio,
Professor universitário aposentado, administrador, contador, historiador e mestre em economia.

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