ANS desiste de plano de saúde sem emergência e internação e vai regular cartões de desconto

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) enterrou de vez a proposta de criação, em caráter experimental, de planos de saúde simplificados, com cobertura apenas para exames simples e consultas eletivas. Em vez disso, o órgão informou que abriu nesta sexta-feira processo para regular o mercado de cartões de desconto

O modelo de plano estritamente ambulatorial — e mais barato — foi proposto pelo órgão em fevereiro de 2025, e não previa a cobertura de atendimentos de emergência, internação, cirurgias, tratamentos e terapias, que ficariam a cargo do Sistema Único de Saúde (SUS). Considerado pelas operadoras de planos de saúde como uma estratégia de ampliação do setor, o projeto preocupava especialistas e até servidores do órgão regulador.

Na prática, o plano simplificado prestaria um serviço similar ao oferecido hoje por cartões de desconto, oferecidos por empresas como Dasa, dr. Consulta e Cartão de Todos: o usuário paga uma mensalidade que garante descontos em consultas e exames laboratoriais.

O crescimento desse serviço nos últimos anos foi usado pela ANS como argumento para a criação de um plano simplificado, mas o produto desenhado pela agência seria operado apenas pelas tradicionais operadoras de planos de saúde.

Em maio do ano passado, após questionamentos do Ministério Público Federal (MPF) e do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), a ANS decidiu suspender temporariamente o projeto, sob argumento de que o tema precisava de “aprofundamento técnico”.

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