A casa de Major Ulisses Lustosa.
O Último suspiro da casa de Tio Ulisses está prestes a acontecer.
Na Rua Aristarco Lopes, bem pertinho da igreja Matriz de Nossa Senhora Rainha dos Anjos, onde o asfalto cede à poeira fina e a pressa da cidade encontra o compasso lento da memória, repousa a Casa do Major Ulisses Lustosa. Não por muito tempo.
A casa dará lugar ao espigão Mansão Ulisses.
Rabiscando o passado, lembro que na minha juventude participei de muitas alegrias no convívio com Tia Maria, suas filhas Tia Idelita e Lia, verdadeiras guardiãs que lá moravam.
Hoje convivo com as netas Efhel e Carmencita.
Lembro também do fiel escudeiro, Terim que fazia de conta que nos expulsava do grande pomar, onde escondidos, saboreávamos as excelentes ciriguelas, as goiabas e outra tantas frutas.
Minha Mãe Quili, eu, minha irmã e mais três irmãos, chegados da Fazenda Bom Jardim, onde nasci, fomos morar vizinho. Tivemos uma maravilhosa acolhida tornando/nos parte da Família.
A casa de Tio Ulisses, é um portal silencioso para uma Petrolina que já não existe, testemunha de várias gerações da família Lustosa Cantareli. Que dará lugar a uma nova edificação chamada Mansão Ulisses.
A Casa de Tio Ulisses vai embora, mas seu nome ficará eternizado na entrada do novo arranha-céu, será um lembrete sutil de que toda evolução tem um custo, e de que até mesmo o mais novo dos edifícios repousa sobre a rica, e por vezes melancólica, fundação da memória.
Para mim, sempre será a Casa de Tio Ulisses.
Por Chico Granja.






