”Só queria que encontrassem minha filha com vida”, diz mãe de menina sequestrada em Santa Maria da Boa Vista (PE)

Mais detalhes do sequestro da garota Ingridy Vitória, de 13 anos, ocorrido na última terça (25), foram relatados pela mãe dela, Adriana Gomes. A mulher alega também ter sido vítima de ações agressivas por parte do suspeito, um vizinho que dava carona à família, na zona rural de Santa Maria da Boa Vista (PE).

“Eu só queria que encontrassem minha filha com vida e que esse monstro pagasse pelo que fez”, desabafou Adriana, em entrevista cedida à Rádio Boa Vista, na última quarta-feira (26). “Já faz um dia e não temos nenhuma novidade”, completou.

Segundo a mãe da menina, Jocelmo Caldas da Silva, principal suspeito do sequestro, realizou constantes ameaças à família antes de desaparecer com Ingridy dentro da vegetação de caatinga, próximo à cidade de Orobó, na manhã da terça (25). A ocasião foi a última na qual Ingridy foi vista.

“Eu rasguei a camisa dele ainda. Ele me amarrou nas mãos, mas não foi muito direito. Ele queria amarrar os pés, mas eu lutei com os pés. Ele jogou minha menina no porta-malas e meu menino estava lá dentro do carro ainda comigo. Ele tirou a arma, disse que se não levasse a menina (Ingridy), ia levar o menino para caatinga e ia matar”, relatou em entrevista à TV Guararapes.

“E disse que se não me calasse, ele ia dar um tiro na minha boca, eu estava pedindo socorro e gritando. Minha filha se desesperou e disse: ‘Mãe, cale, ele vai atirar’, e eu disse: ‘Deixa, minha filha, ele atirar em nós todos, não tem nada não, mas não deixo ele levar você’, relembrou.

Ela também explicou o momento em que conseguiu fugir do sequestrador. “Ele pegou e correu pro porta-malas e arrastou ela. Eu peguei meu filho de 4 anos, na hora que eu ia andando, ainda voltei, peguei a bolsa e celular e saí correndo na beira da pista”, contou.

Adriana falou sobre como foi tentar pedir ajuda e lidar com o medo de que o sequestrador fosse atrás dela novamente.

“Fui procurar ajuda na pista, mas ninguém me ajudou, implorei, implorei, e ninguém ajudava, ninguém parava os carros. Eu deixei meu filho, quando chegou quase perto da pista, eu fui escondida com medo dele vir atrás de mim, eu peguei corri dentro da caatinga e deixei meu filho escondido na caatinga. Eu disse para o meu filho: ‘Fica aqui que eu vou procurar ajuda na pista’, explicou.

“Eu fui buscar meu filho, ele já vinha encontrando comigo, e deixou a bolsa, o celular, eu nem tive mais vontade de procurar, porque eu estava tão apressada, aí carreguei ele, e fiquei implorando de novo, passei mais uns 10 minutos implorando e com medo dele (Jocelmo) vir novamente. Aí passou uma van, eu pedi: ‘Por favor, me ajuda’. Saí correndo com o menino, quando eu cheguei lá, ele disse: ‘O que foi?’ e eu disse: “Sequestraram a minha filha”. Aí ele disse: ‘Entra no carro’, continuou.

Premeditação

Para Adriana, não há dúvidas de que toda a ação criminosa foi premeditada.

“Eu acho que ele conhecia bem o local, que ele já viveu nessa região aqui e ele conhecia muito bem, desde de pequeno ele vivia aqui, a mãe dele é daqui, ele vivia por aqui. Eu acho que ele já foi pensando, estava com obsessão, porque na bolsa dele tinha corda, tinha fita, acharam faca, acharam um monte de comida”, argumentou.

Em um dos locais por onde Jocelmo passou durante o sequestro, foi achada uma carta. O conteúdo sugere que já havia previamente uma obsessão da parte dele por Ingridy. Confira na íntegra:

“Vão até a casa de Ingridy Vitória. Não entre pela janela, mas sim pela porta da frente, e dê três sopros no ouvido dela e três apertos no coração, para que Ingrid Vitória só pense em mim a partir de agora, e invoco ao universo que Ingrid Vitória venha até mim, a meu braço, com muita vontade. Ingrid Vitória não vai ter sossego nem de dia nem de noite enquanto você não estiver aos meus pés”, está escrito na carta.

Buscas

Até o momento, não há nenhuma notícia do paradeiro de Ingrid. O caso é investigado pela Polícia Civil de Pernambuco, que registrou a ocorrência como sequestro.

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