Criminosos torturavam e enterravam corpos em cemitérios clandestinos em Ipojuca (PE)

    Criminosos alvos da Operação Manguezal Vermelho, deflagrada na manhã desta quarta-feira (28), torturavam e enterravam pessoas em cemitérios clandestinos em áreas de mangue de Porto de Galinhas e Nossa Senhora do Ó, em Ipojuca, no Litoral Sul de Pernambuco.

    A ação cumpriu 24 mandados de prisão e nove de busca e apreensão nas cidades de: Recife, Ipojuca, Igarassu, Abreu e Lima, Palmares e Limoeiro, em Pernambuco, e Aracaju (SE).

    Segundo a Polícia Civil, a organização criminosa tem base em Porto de Galinhas e atua em diversas regiões do Estado. Eles são suspeitos de tráfico de drogas, comércio ilegal de arma de fogo, tortura e lavagem de dinheiro.

    Os alvos dos criminosos, que eram torturados e enterrados nas covas clandestinas, eram supostos informantes da polícia, usuários de droga com dívidas com a facção, pessoas que comercializavam drogas na região sem a “autorização” dos líderes da quadrilha, moradores locais que praticam crimes patrimoniais ou de violência doméstica na comunidade.

    “Todos estes julgados e condenados por uma espécie de tribunal do crime”, explicou a polícia.

    O delegado Ney Luiz, titular da Delegacia de Porto de Galinhas, explicou que os criminosos espancavam e até esquartejavam os que eram “julgados” pelo “tribunal do crime”.

    “Eles mesmo decidem o destino de quem vai morrer e quem vai viver. Há casos de mulheres que foram torturadas e tiveram os cabelos arrancados”, detalhou.

    Durante a deflagração da operação, diversos itens foram apreendidos, como dinheiro, carros, celulares, drogas e balanças de precisão.

    O grupo traficava as drogas em pousadas, já que havia um forte mercado consumidor pela grande presença de turistas, segundo o delegado. “Um desses criminosos que foi morto em operação policial teria alugado uma pousada nas proximidades da praia para facilitar o comércio de entorpecente”, completou Ney Luiz.

    Áudios obtidos pela polícia mostram que o grupo tinha planos de invadir a Delegacia de Porto de Galinhas e até derrubar um helicóptero da Secretaria de Defesa Social (SDS).

    “Durante as investigações, no contexto da morte da criança naquele confronto que teve com policiais do Bope, a gente acabou tendo êxito em conseguir áudios onde esses criminosos falam em ter armamento capaz de derrubar aeronave da polícia e falaram até mesmo em invadir a delegacia de Porto de Galinhas”, finalizou Ney Luiz.

    As investigações da operação continuam, e a polícia segue em busca de demais membros do bando ainda foragidos.

    Presos e materiais apreendidos foram encaminhados à sede do Departamento de Repressão aos Crimes Patrimoniais (Depatri), localizado no bairro de Afogados, na Zona Oeste do Recife.

    DEIXE UMA RESPOSTA

    Por favor digite seu comentário!
    Por favor, digite seu nome aqui