Marina diz que, atualmente, vigora um “presidencialismo de desmoralização”

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    Fazer o ajuste fiscal não vai adiantar, na avaliação da ex-ministra Marina Silva (Rede), se o governo Dilma Rousseff (PT)continuar adotando velhas fórmulas de gerir o estado. Em entrevista exclusiva ao Diario, Marina argumenta que não é possível impor à população sacrifícios que custam empregos e continuar a repartir cargos públicos, reduzir a inflação de forma artificial e asfixiar a educação e a saúde. Marina também fez críticas ao papel da oposição, que “está bebendo a própria saliva”, e disse entender os motivos da rejeição da sociedade aos nomes pré-colocados para a disputa presidencial de 2018, inclusive o dela. Fundadora da Rede, ela analisa que a transformaram num bicho-papão nas eleições passadas, dizendo que ela proibiria até os jogos de videogame para crianças.

    De coque nos cabelos, estilo que adotou para disfarçar os brancos e facilitar a correria do dia-dia, a ex-ministra lamenta que a sociedade esteja abrindo mão da liberdade em virtude do medo. Frisa, ainda, que Dilma perdeu oportunidades de entrar para a história e sugere que o PT trabalhe um processo de transição para que a gana de poder não ponha em risco os rumos de uma nação. A entrevista durou 51 minutos e aconteceu no Recife, na última quinta-feira (29), antes de Marina embarcar. Ela veio para a cidade na quarta para uma palestra organizada pelo grupo LIDE.

    LIBERDADE X MEDO

    As pessoas estão trocando a liberdade por segurança. O sociólogo Zygmunt Bauman faz uma análise de que, no começo, havia uma resistência muito grande para a formação da União Europeia, porque cada país tinha sua identidade, a sua moeda… mas quando eles perceberam que não fazer (a União) significava menos potência em termos geo político e econômico, que eles poderiam perder na disputa entre os grandes blocos econômicos, então, a escolha foi trocar liberdade por segurança.
    Se nós trouxermos para a realidade do Brasil… A sociedade brasileira se mobilizou para fazer uma mudança (política) em 2014, havia uma mistura da comoção com a sensação que, agora, “nós temos força para fazer uma mudança”. Mas veio toda uma ação de medo, enfim, de violência política, do poder econômico e as pessoas trocaram liberdade por segurança.

    EDUARDO CAMPOS

    Ajudar na política é estar hoje aqui sem sentimento de vingança, dizendo aqui que impeachment não se fabrica, ele se explicita nas investigações, que não se pode transformar um país como o Brasil numa republiqueta que não tem senso de responsabilidade com a sua governabilidade. Ter decidido, com 26% das intenções de votos, apoiar um candidato que à época tinha 4%, porque identifiquei que ele era uma pessoa que tinha compromisso social, que estava fazendo um bom governo, que era um lutador pela reforma agrária, pela democracia. E eu sabia: ou ele ia ganhar ou sair fortalecido. E se saísse fortalecido, ele seria um candidato em 2018. Eu não fui para dividir um palanque, fui para dividir um legado. O legado da sustentabilidade é maior do que eu. Ele não tem como ser implementado só por um partido. Foi isso que eu fui fazer com o Eduardo.Infelizmente, ele morreu, mas eu tinha consciência de tudo isso, eu não fui para fazer um jeitinho, fui porque acredito na política com base em programa. A sociedade está dando aquilo que ela recebe. Se ela não está recebendo muito, não tem que oferecer o seu sonho e esperança para ela. (DP).

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