Governo pode subir tributos para compensar diesel mais barato, diz ministro da Fazenda

    O ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, afirmou nesta segunda-feira (28) que o governo pode ter que aumentar tributos para compensar a despesa que terá com a redução de R$ 0,46 no litro do diesel, anunciada pelo presidente Michel Temer no domingo (27).

    Para chegar ao desconto no valor do diesel, o governo reduziu a zero as alíquotas da Cide e do PIS-Cofins que incide sobre o combustível. Em entrevista à TV Globo, Guardia informou que a medida vai gerar perda de arrecadação R$ 9,5 bilhões aos cofres públicos.

    As medidas anunciadas pelo governo no domingo, que incluem ainda a suspensão da cobrança de pedágio para eixos suspensos de caminhões vazios em estradas federais, estaduais e municipais, têm o objetivo de pôr fim à greve dos caminhoneiros, que chega hoje ao oitavo dia e causa desabastecimento em todo o país.

    Compensação é exigida por lei

    Quando faz um gasto não previsto no Orçamento, ou, como no neste caso, abre mão da receita com imposto, o governo precisa fazer uma compensação, que pode ser por meio do aumento de outros tributos ou corte de despesas em outras áreas.

    De acordo com Guardia, o aumento de tributos neste momento seria, portato, um “movimento compensatório” pelo corte da Cide e do PIS-Cofins sobre o diesel. De acordo com ele, essa compensação é exigida pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

    O ministro ressaltou que o aumento de outros tributos não vai servir para elevar a arrecadação do governo, mas sim mantê-la no mesmo patamar estimado no Orçamento deste ano.

    “Isso está dentro da compensação requerida pela LRF em função da redução do PIS-Cofins. Isso não é aumento da carga tributária. A carga tributária é neutra”, declarou ele.

    Governo não decidiu quais tributos vão subir

    O ministro não informou quais tributos poderão ser elevados. Segundo ele, isso acontecerá somente após a aprovação pelo Congresso do projeto da reoneração da folha de pagamentos, que restabelece a cobrança de impostos previdenciários de alguns setores que haviam sido beneficiados a desoneração.

    Essa medida vai servir para compensar uma parte das perdas de arrecadação do governo com o barateamento do diesel.

    “Ao invés de Cide e PIS-Cofins sobre o diesel, vamos tributar outras coisas que eu vou comunicar quando for divulgado”, declarou Guardia a jornalistas.

    Ele admitiu que setores que tiverem a tributação elevada para compensar a perda de arrecadação com a Cide e o PIS-Cofins dos combustíveis vão “reclamar”, mas acrescentou que a equipe econômica buscará uma saída que não agrave ainda mais as distorções existentes no sistema tributário brasileiro.

    “Temos de aproveitar esse momento para caminhar em direção a uma carga tributária melhor distribuída. Vamos procurar agregar maior qualidade a carga tributária”, declarou Guardia. (G1)

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